Etapas da recepção do recém-nascido

Whaley & Wong (1989) descrevem que é importante que o enfermeiro tenha conhecimento de todos os dados normais de avaliação do RN em cada fase do período pós-natal, para que com isso possa reconhecer e intervir adequadamente frente a qualquer anormalidade ou intercorrência, proporcionando um desenvolvimento satisfatório ao neonato.

Na mesa cirúrgica

Assim que houver o desprendimento do pólo cefálico, o obstetra deverá realizar a aspiração inicialmente da boca e a seguir das narinas do RN para a retirada do excesso de secreção. Após o desprendimento total do feto, serão realizados o pinçamento e a secção do cordão umbilical, aproximadamente 6 a 8 cm do abdômen. A enfermeira precisa estar atenta para monitorizar o horário exato do nascimento do paciente, após a expulsão completa.

Recepção do RN

Deverá ser em campo estéril e previamente aquecido. A posição para recepção do RN é trendelemburg e lateral, para facilitar a drenagem das secreções. Evita-se pendurar o RN pelos pés, o que pode acarretar riscos de hemorragia intracraniana e luxação de quadril. O RN será colocado sob fonte de calor radiante, devendo ser enxuto suavemente com compressas macias, para evitar resfriamento.

Logo após, deve-se trocar o campo molhado por um seco. A temperatura ideal do berço de recepção é de 30 a 32ºC.

Para Segre (1991), Veiga & Monetti (1989) e Ramos (1978) a perda de calor do recém-nascido pode ser evitada sendo assistido em sala sem corrente de ar, recepção em campo estéril e aquecido, em superfície aquecida também durante o transporte; a manutenção do calor corporal do recém-nascido é um dos aspectos da assistência de enfermagem.

Desobstrução das vias aéreas

Procede-se a desobstrução das vias aéreas superiores usando-se o aspirador a vácuo com força de sucção controlável, mantendo uma pressão média de 15 a 20 cm H2O. As sondas de aspiração devem ser de borracha ou polietileno, número 4/6/8, e o procedimento sempre deve ser iniciado pela cavidade bucal e a seguir pelas narinas. Processando a aspiração em ordem inversa, a aspiração inicial da narina pode ocasionar a aspiração reflexa do material contido na orofaringe.

Marinho (1981) e Segre & Marino (1991) indicam que a aspiração de secreções deve ser iniciada sempre pela boca e nunca pelas narinas, pois se iniciar pelas fossas nasais, poderá, por estimulação reflexa, provocar aspiração do material da faringe, ocasionando problemas respiratórios.

Ramos et al. (1978) descreve que a não obediência desta sequência de aspiração de secreção das vias aéreas superiores tem possibilidade de provocar inspiração levando mucosidade da boca para os pulmões; este procedimento aparentemente simples se não executado corretamente pode acarretar prejuízos ao recém-nascido.
Aspiração da cavidade bucal

Com movimentos delicados, preferencialmente, aspira-se o canto da boca, evitando-se tocar na laringe posterior, pois provoca náuseas.

Aspiração das narinas

Introduzir a sonda de aspiração desligada para não provocar lesões nos tecidos das vias aéreas e tracioná-la lentamente, aspirando de forma intermitente. Todo procedimento de aspiração deve ser monitorizado por meio da ausculta cardíaca. Aspiração do conteúdo gástrico: realiza-se após a aspiração das vias aéreas superiores, quando os movimentos respiratórios estão regulares.

Pode ser realizado por via oral ou nasal. No caso de a criança ter deglutido sangue ou mecônio a aspiração do conteúdo gástrico terá especial importância na profilaxia da irritação da mucosa gástrica, evitando a ocorrência de vômito nas primeiras horas de vida.

Por meio da aspiração gástrica pode-se fazer o diagnóstico de atresia de esôfago, quando da dificuldade de introduzir a sonda até o estômago. O lavado gástrico geralmente só é realizado quando a criança nasce com mecônio ou há presença de sangue.

O mecônio são as primeiras fezes do recém-nascido, caracteriza-se por ser espesso e de coloração preto-esverdeada; a aspiração meconial ocorre quando o recém-nascido aspira o mecônio misturado ao líquido amniótico durante o trabalho de parto e o nascimento.Geralmente esta situação está ligada a um estresse durante o trabalho de parto.

Conforme Taralli (1989) e Ramos et al. (1978), a falta de eliminação do mecônio não deve ultrapassar as 24 horas de vida. A não ocorrência dessa eliminação nesse período pode sugerir existência de doenças do trânsito intestinal, tais como atresia e paralisia. Para verificação de imperfuração anal, o ânus é obrigatoriamente examinado no primeiro exame do recém-nascido.

Material necessário

Bandeja contendo sonda nasogástrica número 4 ou 6, seringa de 10 ml, esparadrapo, água destilada ou soro fisiológico 20 ml, estetoscópio, luvas de procedimento.

Sequência do Procedimento:

  • Lavar as mãos e calçar as luvas;
  • Cuidar os movimentos da criança;
  • Medir o comprimento da sonda a ser introduzida, dimensão que vai do lóbulo da orelha até a narina, acrescido da que vai da narina até o apêndice xifoide, marcar com esparadrapo;
  • Segurar a sonda enrolada na mão direita, deixando livre 5 cm terminais da mesma;
  • Segurar o RN pela parte posterior da cabeça;
  • Introduzir lentamente a sonda pela boca, direcionando-a de cima para baixo, em direção ao esôfago, até atingir a marca do esparadrapo;
  • Observar sinais de disfunção respiratória. Testar posicionamento da sonda com a seringa (só aspirar);
  • Fixar a sonda;
  • Aspirar o conteúdo gástrico com a seringa, avaliar a coloração, o volume e a espessura.quando o volume for esverdeado, sanguinolento ou borra de café, proceder a lavagem gástrica.
  • Para lavar introduz-se 5 ml de água destilada ou soro fisiológico de cada vez até que o retorno seja límpido.
  • Fechar a sonda e retirá-la lentamente.

Esta técnica é realizada sempre que a criança apresentar vômito.Ligadura definitiva do Cordão Umbilical: pode ser realizada utilizando-se anel duplo de borracha ou clamp comercial de plástico. A ligadura se faz a partir de 4 cm da parede abdominal, seccionando-se distalmente o cordão a 1 cm do clamp, com tesoura ou bisturi estéril. Observar durante esse procedimento a presença normal de duas artérias e uma veia. A superfície do coto deve ser higienizada com álcool 70%. A ligadura definitiva do cordão umbilical pode ser realizada na hora do nascimento.

Casanova (1991) afirma que o coto umbilical do recém-nascido deve ser inspecionado, verificando a possibilidade de artéria única, caso isto ocorra é importante compreender que, além disso, o recém-nascido poderá apresentar outras malformações, muitas vezes, não evidentes na hora do nascimento.
Os cuidados com o coto dependem das condições do RN no nascimento. Em caso de RN de alto ou médio risco, terão o coto umbilical umidificados com solução fisiológica, mantendo os vasos em condições de serem cateterizados. Nesses casos permanece uma gaze estéril úmida envolvendo o coto umbilical.

Os recém-nascidos considerados em boas condições físicas recebem cuidados visando à antissepsia e a mumificação do coto umbilical.
Material necessário:
Bandeja contendo álcool 70%, cotonetes e/ou gazes, saco plástico ou cuba.

Sequência do procedimento:
Lavar as mãos;
Examinar as condições do coto umbilical, sinais de infecção, odor, aspectos de involução e mumificação, sangramento, aspectos da pele ao redor do coto;
Quando houver importante sangramento, tomar medidas imediatas;
Aplicar álcool 70% direto ou com cotonetes em toda extensão do coto, evitar que escorra pela pele abdominal. Repetir o procedimento quantas vezes for necessário para remover secreções ou sujidades;
Limpar o coto da inserção para a extremidade;
Manter o coto descoberto;
Lavar as mãos.

FONTE: Disponível em: <www.msd-brazil>. Acesso em: 23 jan. 2009.
Identificação: consta de duas partes: colocação de pulseiras e impressão plantar.

Colocação de pulseiras

Onde consta o nome completo da mãe, registro hospitalar, número do quarto e leito, sexo do RN e hora e dia de nascimento. As pulseiras idênticas são colocadas na mãe e no RN e a mesma deverá ser informada sobre esse procedimento para, com isso, sentir-se segura a respeito da identificação do filho e que a pulseira deve ser mantida até a alta hospitalar.

Impressão plantar ou plantigrama

Por se tratar de documento legal da maior importância, deve ser realizado com cuidado, já que borrões de tinta impedem a clara visualização das linhas plantares, inutilizando a identificação. O ideal é utilizar tinta própria de base oleosa para impressão digital, a mesma utilizada oficialmente para registro geral das pessoas. Deve-se realizar a limpeza prévia das plantas dos pés com gaze umedecida com água, removendo secreções e vérnix e depois tomar cuidado para retirar totalmente a tinta após o procedimento, a fim de que a mesma não seja absorvida.

Exame Físico

Realizado pelo neonatologista, pediatra ou enfermeiro, principalmente voltado para identificação de malformações e vitalidade do Neonato.

O primeiro exame físico do recém-nascido é realizado na sala de parto, considerado como imediato e observa sinais de malformações congênitas, verificação de possíveis danos após o parto, sinais de infecção e sinais vitais ao nascer. O exame físico minucioso é realizado nas primeiras 24 horas de vida.

Apresentação do RN à mãe: este procedimento é habitualmente realizado pela enfermeira. A criança desnuda deverá ser mostrada de frente, com exposição da genitália. A apresentação do bebê à mãe deverá ser um momento agradável.

É importante promover o contato pele a pele, com a finalidade de estimular a formação do vínculo com a mãe/filho, proporcionando tranquilidade à mãe quanto ao bem-estar do filho, sempre que possível e com a aprovação da mulher, o bebê deve ser colocado em contato com a mama e estimulado o aleitamento materno.
O que é o método “Mãe Canguru?”

A figura acima demonstra o método “Mãe Canguru” que foi criado por médicos colombianos no ano de 1979 como uma alternativa de tratamento a recém-nascidos prematuros e/ou de baixo peso, sendo que a partir de 1991 foi acolhido no Brasil por equipes pediátricas de alguns hospitais.

O programa “Mãe Canguru” baseia-se em princípios como: calor (por meio do contato contínuo entre a mãe e o bebê), leite materno (estímulo à amamentação, alimentação adequada do bebê, prevenção de infecções) e amor (por meio da proximidade do recém-nascido e da mãe).

Qual é o objetivo do programa?

O objetivo central do programa “Mãe Canguru” é humanizar a assistência do recém-nascido prematuro e/ou de baixo peso proporcionando a alta precoce diante de infraestruturas inadequadas, superlotação e infecções hospitalares. Existe toda a operacionalização do programa que define quais pacientes são indicados.

Profilaxia da Infecção Gonocócica

O método de credeização – crede é utilizado como profilaxia da conjuntivite infecciosa que pode ser adquirida na passagem pelo canal de parto infectado. O tratamento profilático contra a Neisseria Gonorrhoeae, que pode causar cegueira em crianças nascidas de mãe com gonorreia, é realizado por meio da instilação de uma gota de solução de nitrato de prata em cada olho (WHALEY & WONG, 1989).
Deverá ser realizado com a solução de nitrato de prata a 1% de preparo recente (prestar atenção na data de validade) conservado em frasco escuro na geladeira.
O nitrato de prata previne a conjuntivite infecciosa, mas pode causar uma conjuntivite química, por isso, após seu uso deve ser feita a irrigação ocular, ou seja, instilar uma gota em cada olho, removendo o excesso com gaze ou algodão, embebido em água destilada ou mesmo seco.

Convém lembrar que o nitrato de prata, quando pingado nos olhos da criança, causa ardor, o que imediatamente provoca o fechamento reflexo das pálpebras. Portanto, lembrar de fazê-lo após ter mostrado a criança à mãe, pois assim a mesma poderá abrir os olhos.
Material necessário: bandeja contendo um frasco com nitrato de prata 1%, compressas de gaze, algodão e água destilada 10 ml.

Sequência do Procedimento:
Lavar as mãos;
Afastar as pálpebras do RN com o polegar e indicador;
Instilar uma gota de nitrato de prata em cada um dos olhos;
Remover o excesso de medicamento, evitando-se lesões de pele ao redor do olho;
Afastar novamente as pálpebras e irrigar com água destilada ambos os olhos absorvendo o excesso com gaze.

Administração de Vitamina K

A vitamina K é uma medicação que é administrada rotineiramente em todos os recém-nascidos, em uma dose de 1 mg (0,1 ml), por via IM, na região do terço médio do músculo vasto lateral para prevenir a doença hemorrágica no período neonatal. A vitamina K vem com o nome comercial de Kanakion, Kavit, entre outros, com 10 mg/ 1 ml por ampola. É aplicada com seringa e agulha de insulina.
A doença hemorrágica do recém-nascido é decorrente da deficiência de vitamina K. Esta vitamina é necessária para a síntese hepática dos fatores de coagulação do complexo protombínico. A deficiência no recém-nascido é consequente da incapacidade de manter seu estoque adequado durante os primeiros dias de vida (CONSOANTE VAZ et al., 1989).
Medidas Antropométricas: verificação e registro do peso, comprimento (48-53 cm), perímetro cefálico (32 – 38 cm) e perímetro torácico (= ou até 2 cm < que o PC).

Verificação dos Sinais Vitais:
Respiração (frequência, ritmo, apneia, gemidos, batimento de asa do nariz, retrações);
Pulso apical (frequência e ritmo);
Temperatura (axilar);
Extremidades (coloração e temperatura);
Movimentos anormais (tremores).Armellini (1991) e Ramos et al (1978) descrevem que os sinais vitais normais no recém-nascido são: 100 a 160 batimentos por minuto de frequência cardíaca, 36,5ºC a 37ºC para temperatura corporal normal e 40 a 50 movimentos respiratórios por minuto para frequência respiratória.
A respiração regular estabelecida no recém-nascido consiste numa frequência de 40 movimentos por minuto, entretanto vários fatores podem alterá-la, como aumento da temperatura corporal, atividade física, aumento do metabolismo e mudanças na oxigenação (ESPERIDIÃO, 1989).
Análise da Placenta e Coleta de Exames: realizada pela enfermeira e neonatologista, com especial atenção para áreas de descolamento, calcificação, cotilédones, inserção do cordão umbilical e vasos. Em algumas instituições, aproveita-se para colher da placenta os exames necessários.

Coleta de Exames:

Mãe sem pré-natal: Tipagem Sanguínea, Coombs direto, VDRL e HIV;
Mãe Rh negativo: Tipagem Sanguínea, Coombs Direto, Hemtócrito e Hemoglobina, Reticulócitos, Bilirrubinas;
Bolsa Rota > 18 horas: Hemograma com plaquetas, Hemocultura e outros de acordo com a clínica (lícor, rx tórax, etc.).
Preenchimento das Fichas: as fichas serão preenchidas com dados completos referentes ao pré-natal, parto, condições de nascimento, assistência prestada e identificação. Todo serviço deverá dispor de um livro de registro de nascimento, com ata de abertura e páginas numeradas tipograficamente em que constam as anotações básicas de todos os recém-nascidos. A responsabilidade dessas anotações é da enfermeira (o) sendo necessário evitar rasuras, pois o mesmo é de grande importância legal para instituição.

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