Farmacos Antiepilépticos: Quais são?

Faarmacos Antiepilépticos Quais são

O tratamento farmacológico inicial para suprimir ou reduzir a incidência das crises está baseado no tipo específico da crise. Assim, as crises tônico-clônicas (grande mal) são tratadas de modo diferente das crises de ausência (pequeno mal). 

Muitos fármacos podem ser efetivos para ambas e a toxicidade do agente é frequentemente a principal consideração na escolha do fármaco.

A monoterapia é instituída com um único fármaco, até que as crises sejam controladas ou ocorram sinais de toxicidade. 

Quando a terapia com um único fármaco é ineficaz, um segundo fármaco pode ser acrescentado ao regime terapêutico. A terapia antiepiléptica para as crises tônico-clônicas nunca devem ser interrompidas abruptamente, caso contrário podem ocorrer convulsões.

Fenitoína

A fenitoína é eficaz na supressão das convulsões tônico-clônicas e parciais e é o fármaco de escolha para a terapia inicial, particularmente no tratamento de adultos.

Mecanismo de ação

A fenitoína estabiliza a membrana neuronal para a despolarização por diminuir o fluxo do íon sódio nos neurônios no estado de repouso ou durante a despolarização. Também reduz o influxo de íons cálcio durante a despolarização e suprime o disparo repetitivo dos neurônios.

Ações

A fenitoína não é depressor generalizado do SNC, como os barbitúricos, porém promove algum grau de sonolência e letargia, sem progressão para a hipnose. A fenitoína reduz a propagação de impulsos anômalos no cérebro.

Usos terapêuticos

A fenitoína é muito eficaz nas crises parciais (simples e complexas), crises tônico-clônicas e no tratamento do estado epiléptico causado por crises tônico-clônicas recorrentes. A fenitoína não é eficaz nas crises de ausência, que podem mesmo piorar se o paciente for tratado com ela.

Carbamazepina

Ações

A carbamazepina reduz a propagação de impulsos anômalos no cérebro através do bloqueio de canais de sódio, inibindo assim a geração de potenciais de ação repetitivos no foco epiléptico.

Usos terapêuticos

A carbamazepina é bastante eficiente em todas as crises parciais (simples e complexas) e é frequentemente o fármaco de primeira escolha nesses casos. Além disso, este fármaco é também muito eficaz nas crises tônico-clônicas e é também usado no tratamento da neuralgia trigeminal. Tem sido ocasionalmente usado em pacientes maníaco-depressivos com o sentido de melhorar seus sintomas.

Fenobarbital

Ações

O fenobarbital apresenta atividade antiepiléptica, limitando a expansão das descargas anômalas pelo cérebro e elevando o limiar de disparo. 

Seu mecanismo de ação é desconhecido, porém pode envolver os efeitos inibitórios dos neurônios mediados pelo ácido y-amino-butírico (GABA).

As doses necessárias para a ação antiepiléptica são menores do que as que causam a depressão do SNC.

Usos terapêuticos

O fenobarbital promove taxa de resposta favorável de 50% em crises parciais e não é muito efetivo em crises parciais complexas. Este fármaco tem sido visto como de primeira escolha nas crises recorrentes da infância, inclusive as causadas pela febre. 

Entretanto, o fenobarbital pode deprimir o desempenho cognitivo na criança tratada por convulsões febris e, então, este fármaco deve ser usado com cautela. 

O fenobarbital é também usado no tratamento das crises tônico-clônicas recorrentes, especialmente em pacientes que não respondem ao diazepam com fenitoína. O fenobarbital é também usado como sedativo suave no alívio da ansiedade, tensão nervosa e insônia, apesar de os benzodiazepínicos serem superiores.

Primidona

A primidona é estruturalmente relacionada ao fenobarbital e assemelha-se a ele em sua atividade anticonvulsivante. A primidona é uma escolha alternante nas crises parciais e tônico-clônicas. Muito da eficácia da primidona vem de seus metabólitos: o fenobarbital e a fenil-etilmalonamida, que apresentam meias-vidas maiores que o fármaco-mãe. 

O fenobarbital é efetivo nas crises tônico-clônicas e nas crises parciais simples; e a fenil-etil-malonamida, nas crises parciais complexas. A primidona é frequentemente usada em associação com a carbamazepina e a fenitoína, permitindo que sejam utilizadas menores doses destes agentes. Ela é ineficaz nas crises de ausência.

A primidona é bem absorvida por via oral. Ela mostra pouca ligação às proteínas. Este fármaco apresenta os mesmos efeitos adversos que o fenobarbital.

Ácido Valpróico

O ácido valpróico diminui a propagação da descarga elétrica anômala no cérebro. Ele pode potenciar a ação do GABA nas sinapses inibitórias. 

O ácido valpróico é o mais efetivo agente disponível para o tratamento das crises mioclônicas. Ele diminui as crises de ausência, porém é de segunda escolha em razão de seu potencial hepatotóxico. O ácido valpróico reduz a incidência e severidade das crises tônico-clônicas.

Etosuximida

A etosuximida reduz a propagação da atividade elétrica anômala no cérebro e é de primeira escolha na ausência de crises.

Benzodiazepínicos

Muitos benzodiazepínicos mostram atividade antiepiléptica. O clonazepam e o clorazepato são usados em tratamentos crônicos, enquanto o diazepam é o fármaco de escolha no tratamento agudo do estado epiléptico. 

O clonazepam impede o espalhamento da crise do foco epileptógeno e é efetivo nas ausências e crises mioclônicas, porém desenvolve tolerância. 

O clorazepato é efetivo nas crises parciais, quando usado em associação a outros fármacos. De todos os antiepilépticos, os benzodiazepínicos são os mais seguros e mais livres de efeitos adversos severos. 

Todos os benzodiazepínicos apresentam propriedades sedativas; assim, podem ocorrer letargia, sonolência e fadiga com doses elevadas; também podem ocorrer ataxia, tonturas e alterações do comportamento. Podem ocorrer depressões respiratória e cardíaca, quando usados por via intravenosa em situações agudas.

Gabapentin e Lamotrigine

Pela primeira vez, em muitos anos, estão disponíveis novos fármacos antiepilépticos. O gabapentin é substância análoga do GABA, porém seu mecanismo de ação não é conhecido. 

O lamotrigine inibe a liberação de glutamato e aspartato, bloqueia os canais de sódio e impede o disparo repetitivo. Ambos os fármacos estão aprovados para o tratamento das crises parciais simples e complexas, além das crises generalizadas tônico-clônicas.

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