Gengiva: Características clínicas e histológicas do periodonto normal

A gengiva é composta pelos tecidos epitelial e conjuntivo, formando uma faixa de mucosa mastigatória em torno dos dentes decíduos e permanentes. É limitada na sua superfície vestibular pela linha mucogengival, que a separa da mucosa alveolar.

Em condições normais, é nítida a transição mucogengival, pois a gengiva apresenta-se em cor rosa pálida e a mucosa alveolar adjacente é vermelha, lisa e brilhante. No palato, a distinção entre a gengiva e a mucosa palatina não é possível.

Quando saudável, a gengiva é representada por características clínicas específicas, como coloração rosa-pálida, superfície corrugada (aspecto de casca de laranja) e consistência firme, estando fortemente aderida ao periósteo subjacente. Quando submetida à sondagem periodontal, sua profundidade poderá variar de 1 a 3mm, não devendo apresentar sangramento ou supuração a este exame.

Histologicamente, o tecido gengival é revestido por um epitélio pavimentoso estratificado, paraqueratinizado. O epitélio gengival tem três componentes: o epitélio oral, o epitélio sulcular e o epitélio juncional. O tecido conjuntivo subjacente ao epitélio gengival une a gengiva ao cemento radicular e ao processo alveolar adjacente. A gengiva é firme e fortemente aderida ao dente e ao processo alveolar pelas fibras conjuntivas supra-alveolares.

A gengiva pode ser dividida topograficamente em: a) gengiva marginal ou livre, b) gengiva aderida ou inserida.

Gengiva Marginal ou Livre:

A gengiva marginal ou gengiva livre é aquela que circunda o colo dos dentes com cerca de 0,5 a 2 mm de altura. Em corte vestíbulo-lingual, a gengiva livre tem a forma triangular com duas vertentes: uma vertente marginal, voltada para a cavidade bucal e uma vertente voltada para o dente.

Na vertente dentária, podemos considerar duas regiões: uma que forma a parede do sulco gengival e outra ligada ao dente, que forma o epitélio juncional. A gengiva livre também é responsável pela formação da papila interdentária, a qual preenche o espaço entre dois dentes adjacentes.

São características histológicas do sulco gengival: o epitélio sulcular não apresenta queratinização e os espaços intercelulares são amplos, proporcionando alta permeabilidade tecidual. É frequente neste epitélio a presença de células inflamatórias infiltradas (neutrófilos). Não apresenta papilas conjuntivas. A base do sulco gengival é formada pelo epitélio juncional.

São características histológicas do epitélio juncional: epitélio não queratinizado, com poucas camadas de células e responsável pelo íntimo contato (aderência epitelial) com a superfície dentária. Os hemidesmossomos encontrados entre as células epiteliais e a lâmina basal são as estruturas responsáveis pela estabilidade da junção.

Os epitélios sulcular e juncional formam a localização anatômica crítica, na qual o biofilme de bactérias subgengivais interage com os mecanismos de defesa do hospedeiro.

Distância ou espaço biológico

Distância que vai da margem da gengiva marginal normal ao topo da crista óssea alveolar. Compreende anatomicamente o epitélio sulcular, o epitélio juncional e a inserção conjuntiva.

Essa distância pode variar de acordo com a linha de estudo de diversos pesquisadores, que algumas vezes não incluem o epitélio do sulco nessa distância, considerando distância biológica apenas o epitélio juncional e a inserção conjuntiva.

Porém, acreditamos que todo o sulco gengival deve estar incluído dentro das dimensões do que se chama espaço biológico, pois nos trabalhos clínicos não se pode ignorar o espaço que ele ocupa. Considerando que esta área é variável e sempre para mais, utiliza-se como padrão, o valor médio de 3 a 4 mm para a distância biológica.

A manutenção da distância biológica é de suma importância, pois uma vez que esta se encontra invadida por procedimentos restauradores defeituosos ou fraturas, por exemplo, instala-se um processo inflamatório destrutivo sobre os tecidos periodontais de proteção e de suporte.

Grupo de Fibras do Ligamento Gengival:

Quando observadas ao microscópio óptico, muitas fibras gengivais são encontradas agrupadas em feixes, tendo uma clara orientação relativa ao espaço periodontal e, por isso, são chamadas de fibras principais; ou estão dispostas num modo aparentemente desorganizado, formando malhas entre as fibras principais e desta forma são chamadas de fibras secundárias.

São conhecidas as fibras principais:

a) Fibras circulares: são aqueles feixes de fibras dispostos na gengiva livre e que circundam o dente como um anel.

b) Fibras dentogengivais: se inserem no cemento da parte supra-alveolar da raiz e daí se projetam em forma de leque para o tecido gengival livre das superfícies vestibular, lingual e interproximal.

c) Fibras dentoperiósticas: acham-se inseridas na mesma porção do cemento que as fibras dentogengivais. Entretanto, passam a crista óssea vestibular e lingual dirigindo-se apicalmente para terminar nas malhas do tecido da gengiva inserida.

d) Fibras transeptais: se estendem entre o cemento supra-alveolar de dentes vizinhos. As fibras transeptais correm de forma retilínea sobre o septo interdentário e inserem-se no cemento de dentes adjacentes.

Gengiva Inserida:

A gengiva inserida é firme, resistente e fortemente aderida, através de fibras colágenas, ao periósteo que recobre o osso alveolar. Também é conhecida como mucosa mastigatória. É limitada, em direção coronária pelo sulco marginal e, em direção apical das faces vestibulares e linguais, é separada da mucosa alveolar pela linha mucogengival.

A quantidade e a qualidade de gengiva inserida variam entre os indivíduos e entre os diferentes sítios no mesmo indivíduo. Normalmente, a gengiva inserida mais larga é encontrada na região dos dentes anteriores e decresce desde a área do canino em direção aos dentes posteriores.

O epitélio gengival é pavimentoso estratificado queratinizado. A lâmina própria apresenta numerosas papilas conjuntivas, se interpondo ao tecido epitelial, o que determina a superfície granulosa da gengiva inserida, semelhante à casca de uma laranja. Este aspecto é de grande importância sob o ponto de vista clínico, uma vez que diante de um processo inflamatório ocorre o edema na lâmina própria e os pontilhados desaparecem.

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