Interpretação de Hemograma: Fórmula Leucocitária ou Leucograma

Os dados quantitativos dos leucócitos costumam variar dentro de certos limites que devem ser estabelecidos como padrões normais para determinados grupos humanos.
As modificações fisiológicas da fórmula leucocitária costumam ser discretas e estão relacionadas com as seguintes condições:
• Idade do indivíduo;
• Sexo;
• Condições físicas no momento da coleta de sangue: repouso, exercício físico, condições emocionais como estresse ou depressão psíquica, período do dia (pré ou pós-prandial), presença de gestação ou de menstruação;
• Condições do meio ambiente: calor, frio, altitude.
Entendendo a contagem de leucócitos

O número global de leucócitos circulantes era determinado em contagem manual a partir do sangue colhido da veia ou do sangue de picada do dedo com lanceta apropriada. A amostra de sangue era colhida, corada e diluída com líquido apropriado para ser feita a contagem em câmera (Neubauer). Todos os leucócitos eram contados desse modo, expressava-se o resultado em certo número de leucócitos/ mm3.
Utilizam-se atualmente os contadores eletrônicos para a contagem direta das células leucocitárias.
Quais os tipos dos leucócitos circulantes?

Esses leucócitos circulantes são de vários tipos, daí a necessidade de reconhecê-los pela coloração da lâmina. Uma gota pequena de sangue é colocada sobre a lâmina, sendo feito o esfregaço com auxílio de outra lâmina.
O esfregaço é corado com corante panótico de rotina (Leishman ou Giemsa) e, após a contagem de no mínimo 100 células consecutivas, obtém-se o valor percentual dos diferentes tipos de leucócitos.
De modo geral, a leucocitose reflete a resposta da medula óssea aos agentes estimuladores da granulocitogênese ou linfocitogênese, como, por exemplo, as infecções agudas bacterianas ou viróticas. Outras vezes a leucocitose decorre de proliferação de células precursoras, indiferenciadas, como ocorre nas leucemias.

Quase sempre as leucopenias estão associadas insuficiência medular, condições em que há redução da proliferação e maturação dos granulócitos da medula óssea. A redução dos neutrófilos circulantes é a principal causa da leucopenia nesses casos.

Valores da fórmula leucocitária
A contagem diferencial, que é obtida após coloração de esfregaço de sangue, constitui a fórmula leucocitária na qual são encontrados os seguintes valores:
• Neutrófilos. São leucócitos mais numerosos (60 – 65%);
• Eosinófilos. Correspondem a 2 – 4% dos leucócitos dos esfregaços;
• Basófilos. São células raras (0 – 1%);
• Linfócitos. Presentes em 20 – 30%;
• Monócitos. Presentes em 4 – 8%;
• Plasmócitos. São muito raros na circulação (0 – 1%).
Quando há leucocitose, essa pode decorrer do aumento de certo tipo de leucócitos, recebendo denominações diferentes, como:
• Neutrofilia corresponde ao aumento dos neutrófilos;
• Eosinofilia, que indica o aumento dos eosinófilos;
• Basofilia, que indica aumento dos basófilos;
• Linfocitose, aumento dos linfócitos;
• Monocitose, aumentos dos monócitos; e
• Plasmocitose, aumento dos plasmócitos.
As designações neutropenia, eosinopenia, monocitopenia e linfopenia indicam a diminuição de neutrófilos, eosinófilos, monócitos e linfócitos, respectivos.

Causas de infecções

As infecções são as causas que mais frequentemente determinam leucocitose, podendo acontecer à custa de neutrofilia ou de linfocitose ou monocitose. De modo geral, as infecções bacterianas causam neutrofilia acentuada, com aumento dos segmentados e bastonetes, assim como o desaparecimento dos eosinófilos circulantes. Nesses casos, podem ser encontradas células mais jovens na circulação, como metamielócitos, mielócitos e promielócitos.
Em condições normais, essas células são restritas à medula óssea e só aparecem no sangue quando há um estímulo ou solicitação maior. Dá-se o nome de desvio à esquerda quando tais células são encontradas na circulação. Nesse caso, ocorre uma redução relativa dos linfócitos (linfopenia relativa).
E, algumas circunstâncias o desvio à esquerda é tão intenso que pode haver leucocitose acentuada e aparecimento de células nucleoladas (mieloblasto) em circulação. Fala-se em reação leucemoide, pois o processo reacional simula, até certo ponto, um processo proliferativo maligno – a leucemia. Por isso a denominação que recebe. Nem sempre é fácil distinguir uma reação leucemoide granulocítica de uma leucemia mieloide (ou granulocítica) crônica. As células presentes nos dois casos podem ter morfologia semelhante.
Entretanto, as células maduras da leucemia mieloide crônica (LMC) têm, entre outras anomalias, deficiência de uma enzima citoplasmática, a fosfatase alcalina.
É imprescindível que se faça, nesses casos, uma coloração citoquímica relativamente fácil – a coloração da fosfatase alcalina, para o diagnóstico diferencial entre a reação leucemoide e a LMC.
Na reação leucemoide a enzima está presente, sendo muito positiva nas células maduras granulocíticas, especialmente o segmento neutrófilo, pois tais células são absolutamente normais.
Na LMC, apesar de os segmentos neutrófilos terem morfologia normal, eles são anormais e constituem células de um clone maligno no qual a fosfatase alcalina está ausente ou fracamente positiva.
Em analogia à reação leucemoide granulocítica, podem-se denominar também reação leucemoide linfocítica ou monocítica as linfocitoses e monocitoses reacionais mais intensas que surgem em decorrência de algumas infecções virais ou mesmo bacterianas.
Outras vezes, essas reações não são secundárias a infecções, mas sim à presença de substâncias no sangue ainda não totalmente definidas e que atuam como agentes estimulantes querem da granulocitopoese ou linfocitopoese. É o caso de alguns tumores cujas células são capazes de secretar substâncias que atraem as células leucocitárias para a circulação e provocam a sua proliferação na medula óssea, levando o aumento no sangue periférico.
Além disso, agentes físicos, como, por exemplo, as radiações, diversos parasitas ou a proliferação de um tecido estranho na medula óssea, podem modificar profundamente as condições de desenvolvimento normal das células presentes na medula, consequentemente repercutindo de modo negativo sobre o contingente de células circulantes.

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