Líquidos serosos

Os pulmões são revestidos por uma delicada membrana, presente no exterior do órgão conhecida como pleura visceral, e na região da superfície interna da parede do tórax, denominada pleura parietal. Na área entre os folhetos pleurais está presente um líquido formado pelo ultrafiltrado de plasma, este é o líquido pleural, que facilita a expansão pulmonar dentro da caixa torácica, por lubrificar a superfície pleural, facilitando desta forma os movimentos respiratórios (COMAR, 2008; VARELLA).

São variados os tipos de enfermidades que de forma direta afeta a região da pleura ou de modo indireto gera alterações patológicas neste líquido, causando alterações nos tipos celulares presentes ou na quantidade do fluido pleural, sendo este o resultado de um aumento da produção que excede a taxa de reabsorção (COMAR, 2008).

O pericárdio é um saco fibroelástico, constituído por duas membranas de 1 a 2 mm, denominadas pericárdio visceral e parietal. Sendo separado por um espaço virtual conhecido como cavidade pericárdica que é preenchida com 15 a 50 ml de um líquido seroso o líquido pericárdico. Podendo aumentar de volume em situações inflamatórias, infecciosas, neoplásicas, ou por traumas, e hipotireoidismo (Borges; NUNES FILHO, 2010).

Uma simples camada de células mesoteliais aderidas ao epicárdio, constitui o pericárdio visceral. O pericárdio parietal é uma estrutura fibrosa com espessura menor que dois mm, sendo formada primariamente de colágeno e, em menor grau, de elastina (NUNES FILHO, 2010).As principais funções do pericárdio é a restrição do volume cardíaco durante a diástole, particularmente das câmaras direitas, além da estabilização do coração no mediastino e da proteção mecânica contra a disseminação de infecção de órgãos contíguos (NUNES FILHO, 2010). E a função primordial do líquido pericárdico como o de todo liquido seroso é lubrificar as membranas que o envolve. Sendo valido ressaltar que como todo liquido seroso ele também é formado por um ultrafiltrado do plasma (SILVA, 2011).

O líquido peritoneal é um dos líquidos seroso do organismo, sendo fisiologicamente um transudato com volume de 50 ml livre entre as membranas que o delimita. Ele é caracterizado saudável quando sua densidade esta abaixo de 1,016, a concentração de proteína inferior a 3 g/dl, a contagem de leucócitos abaixo de 3000/µl, e normalmente a cavidade peritoneal é estéril (JOHN, BOEY).

Uma camada mesotelial reveste a cavidade peritoneal, este revestimento denomina-se peritônio visceral, pois se espelha sobre os órgãos intra-abdominais (vísceras). A relação com estruturas intraperitoneais define compartimentos distintos dentro dos quais podem formar-se abscessos. A área de superfície peritoneal é uma membrana semipermeável, comparável à da superfície corporal cutânea. Quase 1m² da área total de 1,7 m² participa da troca de líquido com o espaço de líquido extracelular, a taxas de 500 ml ou mais por hora (JOHN, BOEY).

Entretanto, tradicionalmente se classifica o derrame de acordo com a composição citológica e bioquímica, dividindo o derrame em transudatos e exsudatos (COMAR, 2008).
Os transudatos são derrames, de origem não inflamatória, que ocorrem como um aumento da formação do ultrafiltrado de plasma pela membrana que reveste a cavidade em que o liquido seroso se encontra, resultando em um desequilíbrio da pressão hidrostática ou osmótica. A maioria dos transudatos ocorre em condições clinicamente aparentes, como insuficiência cardíaca congestiva, cirrose com ascite e nefrose, e a presença deste transudato usualmente permite aos clínicos tratar a condição subjacente e observar a resolução do derrame (COMAR, 2008).

Por sua vez, os exsudatos se desenvolvem como consequência de uma doença infecciosa, inflamatória ou neoplásica, como pneumonia, tuberculose e câncer, as quais aumentam a permeabilidade capilar. O diagnóstico diferencial dos exsudatos é mais extenso e comumente necessita de outras análises para determinar a causa (COMAR, 2008).

Em fim os líquidos serosos são formados pelo ultrafiltrado do plasma e a pequena quantidade de proteína que é filtrada, é retirada pelo sistema linfático. Este líquido fica situado entre as membranas que o delimitam e serve para lubrificá-las. Os capilares que irrigam as cavidades exercem pressões hidrostáticas e coloidais que sujeitam a produção e a reabsorção dos líquidos. Estas cavidades são revestidas por duas membranas serosas, sendo uma a membrana parietal que está voltada para a parede da cavidade, e a outra a membrana visceral que reverte os órgãos. O líquido seroso normalmente tem um pequeno volume, pois a velocidade de produção e de reabsorção é proporcional para que haja homeostasia no organismo (SILVA, 2011).

Gostou do conteúdo e ficou interessado em saber mais? Siga acompanhando nosso portal e fique por dentro de todas nossas publicações. Aproveite também para conhecer nossos cursos e ampliar seus conhecimentos.

Receba novidades dos seus temas favoritos

Se aprofunde mais no assunto!
Conheça os cursos na área da Saúde.

Mais artigos sobre o tema