Métodos de desbridamento: Um recurso terapêutico no tratamento de feridas

O desbridamento é a remoção do tecido desvitalizado presente na ferida. Seu objetivo é promover a limpeza da ferida, deixando-a em condições adequadas para cicatrizar, bem como reduzir o conteúdo bacteriano, impedindo a proliferação do mesmo e ainda preparar a ferida seja para a intervenção cirúrgica ou para a cicatrização propriamente dita.

Os métodos mais praticados

Atualmente os métodos utilizados na prática clínica são o autolítico, enzimático, mecânico e cirúrgico.
1) Autolítico

Usa as enzimas do próprio organismo humano para dissolver o tecido necrótico. Isto ocorre quando os curativos oclusivos ou semi-oclusivos são utilizados. Geralmente não causam dor e requerem pouca habilidade técnica para sua realização.

O desbridamento pode ser bastante lento mas é o mais seletivo. Na presença de infecção ou em grandes extensões de necrose assim como em pacientes imunodeprimidos o seu uso é contraindicado.

A ferida apresenta odor durante o processo de desbridamento. As coberturas sintéticas como hidrocolóide, hidrogel e filmes transparentes promovem o desbridamento autolítico.
2) Enzimático 

Utiliza agentes químicos que são seletivos para o tecido necrótico e causam danos mínimos em tecidos saudáveis. Podem ser utilizados em feridas extensas com quantidades moderadas de tecido necrótico. Podem ter custo elevado e requerer prescrição para compra.

Os dois agentes mais comuns são a colagenase e papaína. A colagenase é uma enzima isolada do clostridium hystoliticum. Digere o colágeno, mas não é ativo contra a queratina, gordura ou fibrina.

O pH ideal da ferida para o seu uso é 6-8. A papaína é uma enzima proteolítica derivada do carica papaya. Nos Estados Unidos é combinada com ureia para ativação e sua ação ocorre com o pH entre 3-12.

No Brasil a papaína é encontrada na forma de pó, solúvel em água ou na forma de gel. É utilizada em concentrações diferentes de 2% a 10%, dependendo das características da lesão.
3) Mecânico 

Usam a força física para remover o tecido necrótico sendo produzido pela fricção com pinça e gaze, pela retirada da gaze aderida ao leito da ferida ou pela hidroterapia que força a remoção.

Os curativos de gaze não são seletivos e danificam o tecido saudável ao remover o tecido necrótico; a cicatrização pode demorar mais tempo. Alguns pacientes podem não tolerar a pressão da hidroterapia nas irrigações da ferida.

Se a hidroterapia é pelo método tipo hidromassagem, a atenção precisa ser focalizada na prevenção de contaminação cruzada entre os pacientes ocasionada pelo uso comum do equipamento.
4) Debridamento Cirúrgico ou com instrumental cortante

Utiliza métodos cirúrgicos para remoção do tecido necrótico. É frequentemente considerado o método mais efetivo já que uma grande excisão pode ser feita com a remoção rápida do tecido.

É utilizado para preparar uma ferida para receber o enxerto. É considerado invasivo e de custo elevado, requer o uso de sala cirúrgica. O desbridamento instrumental pode ser realizado no leito do paciente por profissional não médico desde que habilitado.

Para o enfermeiro, esta prática é regulamentada pelos Conselhos Regionais de cada estado.
No Brasil, o uso do mamão “ in natura” ainda é encontrado como prática popular em domicílios, para curativos da úlcera na fase de necrose porém, deve ser ressaltada a importância da limpeza inicial da fruta, a manipulação com material plástico para cortar ou ralar e a sua refrigeração se for guardada para uso posterior
Infecção
Na presença de infecção que se estende além das bordas da ferida, recomenda-se a utilização de antibióticos por via sistêmica.
Úlceras com menos de um mês de duração e infecção leve requerem cobertura contra bactérias Gram positivas pelo menos por 2 semanas. Se o paciente é imunodeprimido, antibióticos de amplo espectro devem ser usados.
Se a úlcera atinge o osso existe grande chance de osteomielite. Antibioticoterapia é necessária por 4 a 6 semanas.
Durante a fase inflamatória do processo de reparação de feridas, os neutrófilos e os macrófagos digerem e removem, naturalmente, plaquetas, fragmentos e tecidos avascular do leito da ferida.
Quando ocorre um acúmulo do material a ser removido esse processo natural torna-se insuficiente ocasionando o retardo na cicatrização.
Conclusão
Os métodos de desbridamento buscam auxiliar no processo de cicatrização das feridas. Estes métodos quando aplicados com critérios servem muito para acelerar o processo de cicatrização, evoluindo para melhora da qualidade de vida do paciente.

Gostou do artigo? Inscreva-se no nosso blog, conheça os cursos da área e continue nos acompanhando.

Enf.ºAlisson Daniel Fernandes da Silva

Receba novidades dos seus temas favoritos

Se aprofunde mais no assunto!
Conheça os cursos na área da Saúde.

Mais artigos sobre o tema