O Balanço Energético

O estado nutricional, no plano físico e biológico resulta do equilíbrio entre consumo alimentar e gasto energético do organismo. Esse gasto refere-se à utilização dos alimentos pelo organismo para suprir as suas necessidades nutricionais e está relacionado ao estado de saúde e à capacidade de utilização dos nutrientes fornecidos pela alimentação.

Quanto de energia nutricional o corpo precisa?

As necessidades nutricionais de energia variam em função da idade, do sexo, do estado de saúde e do estado fisiológico, nível de atividade física dos indivíduos e número de horas de trabalho.
Para um adequado estado nutricional, no que se refere à energia, o consumo alimentar deve estar em perfeito equilíbrio com o gasto da energia do organismo, usada para manter as funções vitais e nas atividades físicas diárias.

Qual é o conceito de balanço energético?
  As pessoas em equilíbrio energético não ganham nem perdem peso; é o que se denomina “balanço energético”:
− O balanço energético é o equilíbrio obtido a partir do total de energia ingerida e o total de energia gasta pelo organismo em suas atividades diárias.
− Caloria (kcal) é a unidade de medida da energia gasta pelo corpo humano em suas atividades metabólicas e físicas e do teor de energia encontrado nos alimentos (proteínas e carboidratos = 4 kcal/g; gorduras = 9kcal/g).
− Vitaminas, sais minerais e água não fornecem energia.
Se a alimentação fornece mais energia do que é requerido pelo organismo, a energia excedente é acumulada na forma de gordura corporal.
Isso significa que, se a pessoa não ingerir menos alimentos ou não aumentar a atividade física, irá ganhar peso, principalmente pelo acúmulo de gordura, o que poderá levar ao sobrepeso ou à obesidade, ao longo do tempo.
Os homens brasileiros, em média, alcançam balanço energético com cerca de 2.400 calorias por dia; as mulheres, com cerca de 1.800 ou 2.200 calorias por dia. A média de 2.000 calorias atende também às necessidades de energia das pessoas mais jovens.
Por exemplo: -as mulheres pequenas e inativas, para manter o balanço energético, devem consumir um volume de alimentos menor por porções recomendadas para cada grupo de alimentos, principalmente relacionando os alimentos mais calóricos como os doces e as gorduras, se comparadas aos homens de mesma idade e nível de atividade física.
O crescimento da incidência das DCNT observado nas últimas décadas relaciona-se, em grande parte, com os hábitos de vida quando jovens. Entre eles, destacam-se os comportamentos que desequilibram o balanço energético, induzindo a ganho excessivo de peso.
Estima-se que, para cada 5% de aumento de peso acima daquele apresentado aos 20 anos de idade, ocorram um aumento de 200% no risco de desenvolver a síndrome metabólica na meia idade.
A evolução de acordo com a idade

À medida que envelhecemos o gasto metabólico se altera e acumulamos, em média, após os 40 anos de idade, meio quilograma de peso corpóreo por anos. Este excesso de peso está associado ao desenvolvimento do diabetes, das doenças cardiovasculares e de outras doenças crônicas não transmissíveis.
O princípio fundamental para manter um balanço energético é que as mudanças nos depósitos orgânicos de energia (tecido adiposo ou massa gorda) se equilibrem com a diferença entre consumo e gasto energético.
 Se a ingestão excede o gasto, ocorre um desequilíbrio positivo, com deposição energética (tecido gorduroso) e tendência ao ganho de peso; quando a ingestão é inferior ao gasto, ocorre um desequilíbrio negativo, com diminuição dos depósitos de gordura e conseqüente perda de peso.

O balanço energético X peso corporal

O balanço energético ou do peso corporal, está associado a mecanismos fisiológicos múltiplos que determinam mudanças coordenadas entre ingestão e gasto energético, regulando o peso corporal em torno de um ponto de ajuste que mantém o peso estável.

A ingestão energética total é proveniente da metabolização dos nutrientes energéticos, carboidratos, gorduras, proteínas, do álcool e de fibras.
A ingestão diária é definida pelo Valor Energético Total =VET
expresso em quilojoule (KJ) ou em quilocalorias (kcal):
Valor calórico dos nutrientes:
1 g e gordura = 9kcal/g
1 g de carboidratos = 4 kcal/g
1 g de proteínas = 4kcal/g
1 ml de álcool = 7 kcal/g
1 g de fibras = 1,5 kcal/g
(energia das fibras produzidas no cólon intestinal a partir da degradação bacteriana).
A avaliação do gasto energético do indivíduo é composta por três elementos:
− A taxa metabólica basal: energia requerida para manutenção de todas as funções vitais do organismo, medida com indivíduo em total repouso;
− O gasto energético utilizado para metabolizar e armazenar o alimento, chamado de ADE = ação dinâmico específica dos alimentos;
− O gasto energético requerido para atividade física e para o trabalho que se modificará de acordo com a intensidade do trabalho ou atividade física.
Também se considera que a termogênese adaptativa, que varia em resposta à ingestão energética crônica (sobe com o aumento da ingestão energética), determinada para o gasto energético de um indivíduo.

Como é o cálculo de peso saudável?
Para o cálculo do peso saudável a tendência é utilizar o Índice de Massa Corporal – IMC, que relaciona o peso dividido pela altura ao quadrado de um indivíduo, para estabelecer a faixa de peso saudável.
IMC = peso / (altura)2
A OMS recomenda para a população um IMC entre 21 e 23kg/m2.
Para indivíduos, a faixa recomendada é de 18,5 a 24,9kg/m2, evitando ganhos de peso maiores do que 5 kg na vida adulta.
Para a manutenção do peso saudável e do balanço energético, dois fatores precisam ser avaliados para uma mudança significativa:
− O aumento do consumo de alimentos industrializados, normalmente ricos em gorduras hidrogenadas e carboidratos simples e pobres em carboidratos complexos.
− O declínio do gasto energético associado à falta de atividade física.
Dois fatores que muito contribuem para o aumento do peso corporal.
As recomendações para mudanças de comportamentos ligados a essa problemática na prevenção da obesidade são considerar o balanço energético e a atividade física.

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