O que são extrassístoles?

Extrassístoles (ES) são batimentos precoces geralmente originados de um foco ectópico. Quando o ritmo cardíaco é regular, surgem antes do momento esperado para a próxima sístole, ao contrário dos escapes, que são eventos tardios. São as arritmias mais comuns e ocorrem não só em casos de cardiopatia como também em pessoas normais.
As ES são classificadas sob diferentes aspectos. O critério mais comum considera a origem da ectopia. Assim, as extrassístoles são classificadas em supraventriculares e ventriculares.
As ES supraventriculares têm QRS estreito ou com a mesma morfologia dos complexos do ritmo sinusal de base. Quando o foco ectópico é ventricular, o estímulo não percorre o feixe de His e suas ramificações no sentido normal. Como consequência, as ES ventriculares têm QRS anômalo, alargado e desviado em sua orientação espacial.
Portanto, no paciente com ECG previamente normal, a extrassístole supraventricular habitualmente tem QRS estreito, ao passo que, na extrassístole ventricular, o QRS é sempre alargado, semelhante ao dos bloqueios de ramo.
Extrassístoles ventriculares: também chamadas contrações ventriculares prematuras (CVP), podem ocorrer de modo irregular ou em intervalos previsíveis (p. ex., a cada 2º — bigeminismo — ou 3º — trigeminismo — batimento). As ESV podem aumentar com estimulantes (p. ex., ansiedade, estresse, álcool, cafeína e fármacos simpaticomiméticos), hipóxia ou alterações eletrolíticas.
As ESV podem ser percebidas como falha do batimento; a ESV não é percebida, mas sim o batimento sinusal seguinte exacerbado. Quando Batimentos ventriculares prematuros(BVPs) são muito frequentes, particularmente quando ocorrem a cada 2º batimento cardíaco, são possíveis os sintomas hemodinâmicos leves, pois a frequência sinusal foi efetivamente reduzida à metade. Os sopros de ejeção existentes podem ser exacerbados em virtude do aumento do enchimento e da contratilidade cardíaca após a pausa compensatória.

Diagnóstico:

  • ECG

O diagnóstico da ESV é por eletrocardiografia (ECG), que revela complexo QRS largos, sem onda P precedente, tipicamente sucedido por pausa totalmente compensatória.

Prognóstico:

As ESV não são significativas em indivíduos sem cardiopatia e não há necessidade de tratamento, além de evitar os deflagradores óbvios. Oferecem-se betabloqueadores ou ablação somente se os sintomas são intoleráveis ou se ESVs são muito frequentes e, por induzir dissincronia interventricular, causam insuficiência carídaca.Outros antiarrítmicos que suprimem as ESV aumentam o risco de arritmias mais graves.

Tratamento:

  • Betabloqueadores em pacientes com insuficiência cardíaca sintomática e após infarto do miocárdio
  • Em alguns casos, ablação

Em pacientes com cardiopatia estrutural (p. ex., estenose aórtica), o tratamento é controverso, embora batimentos ventriculares prematuros e frequentes (> 10/minuto) tenham sido correlacionados a aumento da mortalidade porque nenhum estudo demonstrou que a supressão farmacológica reduz a mortalidade.
Nos pacientes após infarto do miocárdio, a taxa de mortalidade é mais elevada com antiarrítmicos de classe I do que com placebo. Esse achado provavelmente reflete os efeitos adversos dos antiarrítmicos. Entretanto, os betabloqueadores (antiarrítmicos classe II) são benéficos na insuficiência cardíaca sintomática e após o infarto agudo do miocárdio. Se as ESV aumentarem durante o esforço em um paciente com DAC, deve-se considerar a avaliação da necessidade de angioplastia coronariana transluminal percutânea ou cirurgia de revascularização miocárdica.
Administrar betabloqueadores ou fazer ablação somente se os sintomas forem intoleráveis ou se as extrassístoles ventriculares forem muito frequentes e, pela indução da dissincronia interventricular, causar insuficiência cardíaca.

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