Os cuidados na administração e uso de sondas nasogástricas/nasoentéricas

As mais modernas, para gastrostomia, são de silicone ou de poliuretano, com paredes finas e flexíveis, numeradas e com duas vias que facilitam a irrigação e a administração de medicamentos, mesmo durante a infusão da dieta.

Atualmente, muito se tem discutido sobre os cuidados avançados na saúde, dentre os quais a preocupação com a prevenção e capacitação do cuidador e famílias de idosos acamados.

É cada vez mais importante que a enfermagem assuma também esta responsabilidade em capacitar cuidadores e familiares na assistência a idosos que fazem uso de sondas, ou outros dispositivos, sobre os cuidados e assistência necessários, com informações que lhes tragam a possibilidade de oferecer um cuidado mais humanizado e seguro aos idosos.
Orientações importantes para seguir:

Explicar de forma simples, objetiva e em linguagem adequada, o que é a sonda, como foi passada e onde está localizada (usar esquemas, fotos, mostrar no corpo).

• O que fazer em caso de problemas com a sonda nasoenteral?
Em caso de obstrução (entupimento), rachadura, furo, perda ou saída parcial da sonda, você deverá procurar a Unidade Básica de Saúde (Posto de Saúde) ou outro serviço que lhe for indicado, levando a sonda, lavada com água e sabão, e seu guia metálico, para que o enfermeiro verifique se podem ser reaproveitados.

• Como evitar a saída da sonda nasoenteral?

A sonda deve ser fixada à pele com uma fita adesiva hipoalergênica ou esparadrapo, para evitar que seja retirada acidentalmente ou que se desloque para fora do estômago ou intestino.

• Como trocar as fixações da sonda?

Essa fixação deve ser trocada quando estiver suja ou solta: retire a fixação antiga, limpe o nariz com água e sabão, seque bem, sem friccionar; fixe a sonda sem passar na frente dos olhos ou da boca. A sonda não deve ficar dobrada, nem puxar a narina. Em caso de vermelhidão ou machucado na pele, fixar a sonda em outro local.

• Como evitar obstrução da sonda nasoenteral?

Por ser muito fina, a sonda pode entupir-se facilmente, impossibilitando a administração da dieta enteral. Para evitar este problema: injetar, com uma seringa, 40 ml de água filtrada, fervida e fria na sonda, antes e após a administração da dieta ou de medicamento, observar os cuidados com a administração de medicamentos; em caso de obstrução, injetar lentamente 20 ml de água filtrada, fervida e morna ou refrigerante tipo cola. Atenção: a sonda pode se romper caso a pressão para injetar a água seja muito forte.

Cuidados necessários para cuidadores na infusão da dieta enteral

Os cuidadores precisam ainda ser orientados sobre cuidados importantes na infusão da dieta enteral, tais como:

• Manter o paciente sentado ou com travesseiros nas costas formando um ângulo de no mínimo de 15 graus para receber a dieta, nunca deitado para evitar vômitos e aspiração da dieta para os pulmões (o que é muito perigoso);

 • O paciente deverá ser mantido em decúbito elevado durante toda a infusão da dieta e 30 minutos;

• Após o término, infundir a dieta lentamente por gotejamento (por meio de frasco acoplado ao equipo), gota a gota (é como se fosse uma torneira quebrada que pinga lentamente) para evitar diarreia, distensão abdominal, vômitos e má absorção. Para facilitar a descida da dieta, o frasco pode ser pendurado em ganchos, prego ou suporte de vasos.

Deve-se fracionar a dieta durante o dia, o volume em cada horário, não ultrapassando o volume de 350 ml e infundir água filtrada e fervida (que deverá ser fornecida em temperatura ambiente);

• Após administrar cada frasco da dieta, passar pela sonda cerca de 20 ml de água filtrada e fervida, para evitar acúmulo de resíduos e entupimento da mesma; manter a sonda fechada quando não estiver em uso;

• Após o preparo da dieta caseira, essa deverá ser guardada na geladeira e retirar somente a quantidade que for utilizar 30 minutos do horário estabelecido. A dieta, portanto, deverá ser oferecida ao paciente em temperatura ambiente. Não aquecer a dieta em banho-maria ou em micro-ondas.

• Caso o paciente puxe a sonda (ou ocorra um acidente na mobilização) e essa saia, não tente recolocá-la. Lave-a com água e sabão e guarde-a em lugar seco e limpo, pois ela pode ser reutilizada. Dependendo do tipo de sonda enteral ela pode ser utilizada por até seis meses, desde que não obstrua, fure ou vaze.

Alguns cuidadores poderão necessitar de orientações sobre administração de alimentação por meio de gastrostomia, orifício artificial externo no estômago para alimentação e suporte nutricional, quando há impossibilidade ou perigo de usar a via normal. Indicada quando o paciente possui lesão de boca, faringe e esôfago irreversível ou que requerem tratamento prolongado, como o caso de tumores. A administração pode ser realizada por meio de funil ou seringa.

Atentar para alguns dos cuidados a serem tomados como:

• Colocar o paciente em decúbito um pouco elevado;
• Adaptar o funil ou seringa na sonda, mantendo-a elevada e despejar a dieta lentamente;
• Limpar a superfície externa da sonda com gaze se houver extravasamento;
• A dieta deve ser totalmente líquida, pois do contrário poderá obstruir a sonda;
• A temperatura ideal é de 37 °C e nunca retirar a sonda de gastrostomia; caso saia acidentalmente, comunicar o médico imediatamente.
Abordar ainda sobre os cuidados com a sonda vesical de demora, utilizada por muitas pessoas idosas, que perderam a capacidade de urinar espontaneamente, e necessitam deste tipo de prescrição médica.
Da mesma forma, orientar que nesse método a sonda é mantida dentro da bexiga, assim, a urina fluirá continuamente. A sonda liga-se a uma bolsa coletora que pode ser fixada na lateral da cama, da cadeira de rodas, ou na perna do paciente (caso ele ande).

Cuidados necessários para evitar infecções

Para prevenir complicações como infecções, sangramentos e feridas frisamos a importância de se tomar os seguintes cuidados:
• Lavar as mãos; limpar a pele em torno da sonda com água e sabão pelo menos duas vezes ao dia para evitar o acúmulo de secreção;
• Lavar a bolsa coletora uma vez ao dia, com água e sabão ou água e cloro (cândida); quando desconectar a bolsa da sonda, bloquear a sonda com uma gaze estéril, para que a urina não vaze;
• Manter a bolsa coletora sempre abaixo do nível da cama, e não deixe que ela fique muito cheia, para evitar que a urina retorne para dentro da bexiga;
• Não deixar a perna do paciente apoiada na sonda, porque essa estará ocluída e a urina não sairá da bexiga;
• Sempre que não houver urina na bolsa coletora, verifique se não há dobras ou obstruções no sistema e NUNCA troque a sonda vesical, esse é um procedimento de enfermagem, e deve ser realizado com técnica específica do profissional.

Orientações necessárias para familiares e cuidadores

Outra abordagem que pode ser necessária é a respeito dos cuidados as pessoas com colostomia. Esclarecer aos cuidadores e familiares sobre o procedimento cirúrgico, onde se faz uma abertura no abdome (estoma) para a drenagem fecal (fezes) provenientes do intestino grosso (cólon).

Esse procedimento é feito geralmente após a retirada de uma parte do intestino, podendo ser temporária ou permanente. Realiza-se um corte no abdome enquanto o paciente está sob anestesia profunda e sem dor (anestesia geral).

Depois, o tecido sadio do intestino foi preso no abdome para formar uma abertura, uma espécie de “boca”, que é a colostomia. Em seguida, é selecionada uma bolsa adesiva para coletar o material que vai ser eliminado. Ajudar a selecionar a bolsa adequada, que se ajuste de forma segura e confortável.

A colostomia é feita quando a parte inferior do intestino grosso, o reto ou o ânus está impossibilitado de funcionar normalmente ou quando necessita de um período de repouso para as suas funções normais.

Cuidados necessários após a colostomia

Cuidados com a pele ao redor da colostomia, que requer um cuidado especial porque o contato prolongado com as fezes pode causar irritação. Para manter a integridade e a aderência da pele ao dispositivo é recomendado orientar os seguintes cuidados:

• Nunca utilizar substâncias agressivas à pele, como álcool, benzina, colônias, tintura de benjoim, mercúrio, merthiolate, pomadas e cremes;
• Explicar que estes produtos ressecam a pele, favorecendo o aparecimento de feridas e reações alérgicas;
• Realizar limpeza da pele ao redor da colostomia com água e sabão neutro e não esfregar com força ou usar esponjas ásperas;
• Tomar cuidado com insetos, em especial moscas.

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