Plantas que atuam no sistema digestivo

Plantas que atuam no sistema digestivo

Muitas plantas medicinais atuam no sistema digestivo, sendo sua atividade bastante conhecida devido à prática na medicina popular de chás para alívio do desconforto gástrico, melhora da digestão e estimulante do apetite. As espécies vegetais que atuam no sistema digestivo são divididas de acordo com sua atividade como será descrita adiante.

Plantas medicinais amargas

As plantas amargas aumentam as secreções gástricas e biliares, aumentando a acidez do suco gástrico e auxiliando na digestão. Os estímulos originados na boca, como o sabor amargo ingerido antes da refeição é capaz de induzir reflexamente as secreções gástricas. 

A administração de plantas com conteúdo amargo pode iniciar o reflexo necessário, levando a uma secreção gástrica de mesma intensidade e duração, 2 a 3 horas, da secreção reflexa normal. Foi observado que as substâncias amargas melhoraram de forma apreciável o apetite de pacientes que apresentam ausência de secreção gástrica e enzimas digestivas (aquilia gástrica). 

Além dessa ação, as substâncias amargas agem no sistema cardiovascular, causando diminuição na taxa cardíaca e no volume de pulsação cardíaca.

As espécies vegetais

As espécies vegetais usadas medicinalmente para estimular o apetite e as secreções digestivas não são somente amargas, mas apresentam também uma sensação de sabor agradável. Um critério importante para a utilização destas espécies é a quantidade; grandes quantidades de substâncias amargas reduzem as secreções gástricas, por meio da sua ação direta sobre a mucosa gástrica, causando a supressão do apetite.

As plantas medicinais amargas podem ser classificadas de acordo com a intensidade de seu gosto amargo: Amargos simples (genciana, trevo aquático); Amargos aromáticos com óleo volátil (raiz de angélica, cardo-santo, absinto); Amargos adstringentes com taninos (casca de quina) ou a margos ácidos (gengibre e galanga).

As substâncias amargas geralmente causam dor de cabeça em indivíduos sensíveis, e quando utilizados em quantidades excessivas podem provocar vômito ou náusea. Por estimularem as secreções digestivas, são contraindicadas em pacientes com úlcera gástrica ou duodenal.

As administrações de substâncias amargas, geralmente são nas formas farmacêuticas de preparações líquidas em dose única; os chás são geralmente preparados como alternativas aos produtos fitoterápicos disponíveis.

O absinto é um arbusto perene nativo das regiões áridas e aclimatadas nas Américas do Norte e do Sul. A droga vegetal consiste nas partes aéreas do absinto de odor aromático penetrante e sabor picante e fortemente amargo. 

A presença de lactonas sesquiterpênicas que ocorrem na forma de monômeros, como artabsina ou dímeros, como absintina. Além destas lactonas, o absinto possui 0,3-0,5% de óleo volátil, em que 70% consistem de duas formas isoméricas de tujona, a (-)-tujona e (+)-isotujona, compostos responsáveis pelo odor picante da planta.

A espécie é indicada para a falta de apetite, problemas dispépticos e discinesia biliar na dose diária de 2-3 g da droga vegetal. Pequenas doses de absinto utilizada na forma de infusão ou tintura agem como amargo aromático. Se a dose for aumentada, o efeito tóxico do absinto torna-se pronunciado devido à presença da tujona, levando a intensa salivação e à hiperemia das membranas das mucosas e do intestino. Os efeitos adversos das preparações de absinto incluem convulsões, delírio e alucinações.

A raiz de genciana amarela é um herbáceo perene típica das regiões montanhosas da Europa. Possui odor característico, sabor inicialmente doce que se torna amargo e persistente. O principal princípio ativo encontrado no extrato aquoso da raiz de genciana é o gentiopicrosídio (2-3%). As preparações de raiz de genciana amarela são indicadas para a falta de apetite, flatulência e inchaço na dose diária de 3 g.

Plantas colagogas:

As plantas medicinais colagogas estimulam a produção de bile no fígado e promovem o esvaziamento da vesícula biliar e dos ductos de bile extra-hepáticos. Os distúrbios do trato biliar é um problema muito comum, como os cálculos biliares marcados por desconforto na região superior do abdome pronunciado no lado direito que irradia para as costas e para o ombro direito; tal distúrbio está relacionado a hábitos alimentares que incluem refeições gordurosas. 

As espécies vegetais utilizadas por suas propriedades colagogas apresentam como principais constituintes compostos aromáticos e alcalóides, que contribuem para o aumento do fluxo de bile que auxilia na remoção de cristais e bactérias presentes no trato biliar.

As folhas secas ou frescas de alcachofra são indicadas para problemas dispépticos, principalmente para pacientes com suspeita de disfunção da secreção de bile. Os principais constituintes responsáveis pela atividade são os derivados do ácido cafeiquínico, como a cinarina.

Estudos apontam que o extrato aquoso de folhas de alcachofra exerce efeitos inibitóros na biossíntese de colesterol, efeitos hepatoprotetores e inibição da oxidação de LDL que possui papel significativo na patogênese da aterosclerose. A dose diária recomendada de extrato seco de folhas de alcachofra é de 6 g. 

A utilização de alcachofra é contraindicada em indivíduos com obstrução do trato biliar e alergia. Não há relatos quanto à existência de efeitos colaterais.

Peumus boldus molina (boldo)

O boldo é um arbusto verde nativo das regiões áridas do Chile, de sabor aromático queimante e odor aromático. Nas folhas de boldo são encontrados 0,1% de alcaloides derivados da aporfina, sendo o principal a boldina; 2% de óleo volátil (cineol, eugenol) e flavonoides (pneumosídeoe boldosídeo).

Na Fitoterapia, o boldo é indicado nas afecções hepáticas, como estimulante da digestão e litíase biliar. A dose diária de boldo recomendada é de 3 g da droga vegetal. O uso prolongado é contraindicado, assim como durante a gestação devido à presença de substâncias potencialmente tóxicas.

Plantas carminativas

As plantas medicinais são de grande aplicação na flatulência e no inchaço, que são sinais de inúmeras doenças inflamatórias gastrintestinais e disfunções biliares e pancreáticas e lesões ateroscleróticas de vasos mesentéricos. As preparações fitoterápicas exercem um papel importante no tratamento da flatulência que produzem uma sensação de aquecimento quando ingeridas e promovem a eliminação pós-prandial de gases digestivos por eructação. As espécies vegetais que exercem efeito carminativo são cominho, erva-doce, anis, hortelã, camomila, melissa e raiz de angélica.

O Anis

O anis é nativo do Oriente e apresenta um cheiro pungente. A droga vegetal utilizada na medicina são as sementes de anis que possuem 10% de óleo fixo e 2-3% de óleo volátil, sendo o principal constituinte o anetol. Além de carminativo, a semente de anis possui ação expectorante. 

A dose diária de semente de anis indicada como calmante gastrintestinal é de 0,3 g de droga vegetal. O uso prolongado e de altas doses é contraindicado por provocar convulsões, confusão mental e alucinações.

O funcho

O funcho é uma planta nativa da região sul da Europa. Seus frutos (sementes) são utilizados com finalidades medicinais por sua ação carminativa e expectorante, especialmente em crianças. Os principais constituintes dos frutos de funcho são o óleo volátil (2-6%), composto de fenchona e anetol e ácidos graxos (9-12%).

O chá de sementes de funcho para crianças com dispepsia e diarreia é uma prática muito comum, promovendo redução dos espasmos intestinais. O funcho pode ser associado com outras plantas em uma mistura de chá carminativo, favorecendo o sabor.

Plantas com ação na úlcera e gastrite

Algumas espécies vegetais mucilagenosas exibem uma atividade demulcente que reduz a irritação local presente na gastrite e na úlcera, como as sementes de linho, folhas e raízes de baleia e folhas de malva. As principais espécies utilizadas na Fitoterapia para alívio de gastrite e úlcera são camomila e alcaçuz.

Camomila

A camomila é uma das plantas mais utilizadas na medicina popular. A composição de 0,25% de óleos voláteis terpenoides, especialmente de bisabolol e chamazuleno, justifica sua atividade anti-inflamatória; além de aproximadamente 2,4% de flavonoides, como a apigenina de ação antiespasmódica. As flores de camomila apresentam 5-10% de mucilagens semelhantes à pectina. Os constituintes da camomila geralmente são liberados no momento da infusão e atua amenizando a irritação da mucosa gástrica.

As preparações a base de camomila ou a infusão são indicadas nos espasmos gastrintestinais, na úlcera crônica.

As raízes e os rizomas do alcaçuz são utilizados oralmente em inflamações gástricas e infecções do trato respiratório. Os dois tipos de princípios ativos são glicirrizina (5-15%) e os flavonoides liquiritina e isoliquiritina. 

A glicirrizina inibe a síntese de prostaglandina e a lipoxigenase, justificando seu uso na inflamação. Devido a sua ação mineralocorticoide, a dose diária média não deve exceder 5-15% da planta seca, que equivale a 200-600 mg de glicirrizina, e o tempo de tratamento não deve ultrapassar 4-6 semanas. 

Quando as preparações de raiz de alcaçuz são utilizadas em altas doses ou períodos prolongados observam-se como efeitos adversos retenção de sódio e água, elevação da pressão arterial, perda de potássio e edema.

Plantas com ação antidiarreica:

Os fitoterápicos tem papel importante no controle da diarreia, tanto como as preparações caseiras utilizadas na medicina popular. A diarreia consiste na frequência de evacuações de fezes moles ou líquidas. Preparações importantes no controle da diarreia são plantas medicinais, contendo tanino, pectinas e leveduras.

As espécies vegetais do chá-verde ou chá-preto, o mirtilo, as folhas e casca de hamamélis e casca de carvalho são rica em taninos, constituinte que leva a precipitação de proteínas, formando uma película protetora no epitélio do trato gastrintestinal normalizando a hiperperistalse. 

A maioria dos taninos presente nessas espécies é derivada da catequina penta-hidroxiflavonol, que são produtos oligoméricos e poliméricos solúveis em água.

O chá-verde e o chá-preto são derivados do arbusto de uma planta lenhosa, predominantemente cultivada no sudeste da Ásia. A droga vegetal são as folhas secas que podem ser processadas para elaboração do chá-verde ou preto.

O chá-verde consiste nas folhas aquecidas imediatamente após a colheita, posteriormente enroladas e comprimidas e levadas à secagem; os constituintes e a cor das folhas são preservados apresentando alto teor de taninos e forte sabor adstringente. 

O chá-preto é produzido por fermentação; as folhas murchas são enroladas e colocadas em ambiente úmido a fim de ocorrer alteração enzimática, o que faz com que as folhas se tornem marrom avermelhadas. As folhas pretas podem apresentar sabor variado dependendo do processo.

Quantidade de taninos

Os taninos são encontrados nas preparações de chá-verde ou chá-preto em 5-20%, além de 2-5% de cafeína e 1% de óleo volátil na droga vegetal. Em estudo com indivíduos sadios que consumiram 2 litros de chá diariamente o tempo de trânsito intestinal durante quatro dias foi prolongado em relação ao placebo; também foi observado redução na excreção de ácidos biliares nas fezes. 

A quantidade de taninos deve ser observada nas preparações de chá devido ao potencial hepatotóxico quando consumidos em excesso, principalmente naqueles indivíduos com comprometimento hepático.

A casca seca de ramos jovens de carvalho colhidos na primavera concentra de 1-20% de taninos e alto conteúdo de galotaninos. A droga vegetal é indicada para uso externo em doenças cutâneas inflamatórias e uso interno na diarreia aguda, e também em inflamações de garganta, boca, genitália e região anal. Recomenda-se que as preparações de casca de carvalho sejam utilizadas por até quatro dias.

Pectinas:

As pectinas são polímeros de unidades de ácido galacturônico de peso molecular de 60.000 a 90.000. Essas unidades possuem a capacidade de reter água e formar uma estrutura gelatinosa, que exibe ação protetora da mucosa intestinal. As bactérias presentes na flora intestinal podem degradar o gel de pectina, liberando ácidos graxos de cadeia curta que age inibindo a mobilidade do intestino.

As principais fontes de pectinas são raízes de armazenamento e frutos carnosos, como açúcar de beterraba, resíduos de maça, bagaço de laranja, limão, cenoura e banana.

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