Psicanálise: Fase genital

Esta fase do desenvolvimento psicossexual, fase genital, corresponde à fase adolescente, que inicia com o começo da puberdade e termina com a aquisição da fase adulta jovem.

A influência mais notável deste período do desenvolvimento é o amadurecimento fisiológico de sistemas hormonais, que resulta na intensificação de impulsos, particularmente os impulsos sexuais.

Este estágio um tanto longo do desenvolvimento psicossexual, sem dúvida um dos mais desafiadores no ciclo vital, requer o desenvolvimento de domínio psicológico sobre as pressões dos impulsos.

Além disso, uma tarefa-chave do desenvolvimento associado a fase genital é o estabelecimento de relações de objeto maduras e da sexualidade genital com um parceiro apropriado.

Um aspecto importante desta aquisição é a separação emocional dos próprios pais e o estabelecimento de um estilo de vida independente.

Além destas modalidades essenciais da sexualidade na criança, que deram seus nomes às fases principais que examinamos, existem outras manifestações do impulso sexual que merecem atenção.

Uma dessas é o desejo de olhar, que em geral é mais acentuado na fase fálica, e seu equivalente, o desejo de exibir. A criança deseja ver os genitais de outras, bem como mostrar os seus. Sua curiosidade e exibicionismo, naturalmente, incluem outras partes do corpo e também outras funções corporais.

As sensações cutâneas também contribuem com sua parte, e assim o fazem a audição e o olfato.

Descrevemos a sequência de fases que se produzem normalmente na infância como manifestações do impulso sexual.

Essa sequência envolve, naturalmente, variações no grau de interesse e importância que se prende na vida psíquica da criança aos vários objetos e modalidades de gratificação do impulso sexual.

Se descrevermos esses fatos em termos dos nossos conceitos recentemente definidos, diremos que a catexia libidinal de um objeto de uma fase anterior diminui à medida que se alcança a fase seguinte, e podemos acrescentar que, embora diminuída, a catexia persiste por algum tempo depois de se tornar estabelecida a última fase e depois que os objetos a ela apropriados se constituíram nos principais objetos da catexia libidinal.

A teoria da energia psíquica nos fornece uma explicação do que acontece nessas modificações. Presumimos que a libido que catexizou o objeto ou a modalidade de gratificação da fase anterior se desprende dele gradualmente a catexiza, em seu lugar, o objeto ou modalidade de gratificação da fase seguinte.

Assim, a libido que primeiramente catexizou o seio, ou, para ser mais precisa, a representação psíquica do seio, catexiza depois as fezes, e ainda mais tarde o pênis.

Podemos dizer então, que há um fluxo da libido de objeto para objeto e de uma fase de gratificação para outra, durante o curso do desenvolvimento psicossexual, fluxo que segue um curso que é provavelmente determinado geneticamente em forma ampla, mas que pode variar consideravelmente de pessoa para pessoa.

Temos razões para acreditar, no entanto, que nenhuma catexia libidinal seja abandonada. A maior parte da libido pode fluir para outros objetos, mas certa quantidade, pelo menos, permanece normalmente ligada ao objeto original. A esse fenômeno, isto é, à persistência de catexia libidinal de um objeto de tenra infância ou meninice na vida posterior, denomina-se “fixação” da libido.

Por exemplo, um menino pode permanecer fixado em sua mãe e desse modo ser incapaz, na vida adulta, de transferir suas afeições a outra mulher, como deveria normalmente ser capaz de fazer. Além disso, a palavra “fixação” pode se referir a um modo de gratificação. Assim, falamos de pessoas que estão fixadas às modalidades de gratificação oral ou anal.

O uso do termo “fixação” indica ou implica, geralmente, psicopatologia. Isso se deve a que a persistência das catexias iniciais tenha sido inicialmente reconhecida e descrita, por Freud e aqueles que o seguiram, em pacientes neuróticos.

É provável, como já dissemos que constitua uma característica geral do desenvolvimento psíquico. Talvez seja mais provável que, quando em proporção excessiva, resulta numa consequência patológica.
Uma fixação, tanto a um objeto como a uma fase do desenvolvimento, é em geral inconsciente, seja totalmente ou em parte. Por exemplo, apesar da forte intensidade de suas catexias, os interesses sexuais da nossa infância, são comumente esquecidos em grande parte à medida que abandonamos a tenra infância.

De fato, é mais exato dizer que as lembranças de tais interesses são energicamente barradas de se tornarem conscientes, e certamente o mesmo deve ser verdade para as fixações em geral.

Assim como temos um fluxo progressivo da libido no curso do desenvolvimento psicossexual, também podemos produzir um refluxo. Esse refluxo é chamado de “regressão”. Este termo designa o retorno a uma fase ou a um objeto mais remoto de gratificação.

A regressão se relaciona com a fixação, uma vez que de fato, quando sucede a regressão, geralmente ela se faz para um objeto ou fase do desenvolvimento ao qual o sujeito já se fixara. Se um novo prazer se mostra insatisfatório e é abandonado, o sujeito tende naturalmente a retornar aquele que já foi experimentado e aceito.

Um exemplo característico de regressão seria a resposta de uma criança pequena ao nascimento de um irmãozinho, com que terá que partilhar o amor e a atenção da mãe. Embora tenha abandonado a sucção do seu polegar vários meses antes da chegada do irmão.

Logo retornará depois do nascimento deste, nesse caso, o objeto mais primitivo de gratificação libidinal para o qual a criança regrediu foi o polegar, enquanto que a fase mais remota foi à sucção.

Como nosso exemplo sugere geralmente se considera a regressão como aparecendo sob circunstâncias desfavoráveis e, ainda que não seja necessariamente patológica, amiúde se associa a manifestações patológicas.
Devemos mencionar neste ponto uma característica da sexualidade infantil que é de especial importância. Diz respeito ao relacionamento da criança com os objetos.

Para usarmos um exemplo bem simples, se o bebê não pode ter sempre o seio da mãe, logo aprende a se acalmar sugando os próprios dedos, da mão ou do pé. Essa capacidade de gratificar suas próprias necessidades sexuais por si mesmo é chamada de autoerotismo.

Dá à criança certa independência em relação ao ambiente, no que se refere a obter gratificação.

Quanto ao impulso agressivo, devemos confessar que se tem escrito muito menos sobre suas vicissitudes do que sobre as do impulso sexual. Isso certamente se deve ao fato de que foi somente em 1920 que Freud considerou o impulso agressivo como um componente instintivo independente, na vida mental, comparável ao comportamento sexual, que desde muito cedo foi reconhecido e tornado objeto de estudo.

As manifestações do impulso mostram a mesma capacidade de fixação e regressão, e a mesma transição de oral a anal e a fálica. Isso quer dizer que os impulsos agressivos no bebê muito novo são passíveis de serem descarregados por um tipo de atividade oral como morder. Um pouco mais tarde, evacuar ou reter as fezes tornam-se meios importantes de liberação do impulso agressivo, enquanto que na criança ligeiramente maior o pênis e sua atividade são empregados, ou pelo menos usados na fantasia, respectivamente como uma arma e um meio de destruição.

No entanto, é claro que o relacionamento entre o impulso agressivo e as diversas partes do corpo que acabamos de mencionar não se encontra num relacionamento tão próximo como no caso do impulso sexual.

A criança de cinco ou seis anos, por exemplo, não usa em grande extensão, na realidade, seu pênis como arma; geralmente emprega suas mãos, seus pés e palavras.

No entanto, o que se pode demonstrar pela análise, é que as armas que usa em seus jogos e fantasias, tais como espadas, flechas, rifles, etc., representam seu pênis e seus pensamentos inconscientes. Parece, portanto, que em suas fantasias ela está inconscientemente destruindo seus inimigos com seu poderoso e perigoso pênis.

É interessante que a questão da relação do impulso agressivo com o prazer ainda seja, do mesmo modo, duvidosa. Não temos dúvida sobre a conexão entre o impulso sexual e o prazer.

A gratificação do impulso sexual não significa apenas uma descarga indiferente de tensão, mas também uma descarga que proporciona prazer.
O fato de que o prazer possa ser impedido ou mesmo substituído por sentimento de culpa, vergonha, ou aversão em certos casos, não altera nosso ponto de vista no que se refere à relação original entre sexualidade e prazer.
E a satisfação do impulso agressivo, ou em outras palavras, a descarga da tensão agressiva, também traz prazer? Freud, em 1920, pensava que não. Outros autores mais recentes presumem que sim. Não temos meios de encontrar, por enquanto, a afirmação correta.

Uma ressalva pode ser útil no que diz respeito às palavras “libido” e “libidinal”. Elas devem ser compreendidas como se referindo não apenas à energia do impulso sexual, mas também a do impulso agressivo.

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