Psicoterapia Grupal: Classificação dos Grupos

São amplas e ricas as possibilidades de grupo que fica difícil listar e definir exatamente cada modalidade, mesmo porque muitas delas se entrelaçam ou se complementam, mas no artigo da semana, vamos exemplificar essa separação e mostrar para você como eles podem ser classificados.

A seguir está descrita uma classificação proposta por Zimerman (2000) referente ao critério da finalidade.  A divisão está abaixo:

Grupos Operativos


Segundo Pichon-Rivière (1991), o grupo operativo assemelha-se ao funcionamento do grupo familiar (como também propõe Zimerman, 2000) e pode ser definido como um grupo e pessoas localizadas em um mesmo ambiente e espaço.

Um dos objetivos da técnica dos grupos operativos, como sinaliza Pichon-Rivière (1991) é o de auxiliar na minimização dos medos básicos e o de favorecer o rompimento dos estereótipos que funcionam como barreira à mudança.

Grupos operativos voltados ao ensino-aprendizagem

Zimerman (2000) resume essa modalidade em “aprender a aprender” (p. 91). Parte-se do pressuposto de que a finalidade é a de treinar o grupo para desenvolver uma tarefa comum.

Grupos institucionais

Referem-se a grupos realizados em instituições em geral. Nas empresas, o psicólogo organizacional desenvolve trabalhos com colaboradores; nas escolas podem ser realizados grupos de pais, de alunos e/ou de professores (ZIMERMAN, 2000).
       
Grupos comunitários

Um exemplo clássico são os grupos na área de saúde mental, como ilustra Zimerman (2000). Podem ser com adolescentes, gestantes, líderes comunitários etc.; de caráter preventivo, de tratamento ou reabilitação.

É importante ressaltar que os grupos operativos também resultam em benefícios terapêuticos.

Grupos Terapêuticos


Grupos de autoajuda

Assim como os demais, essa modalidade grupal apresenta benefícios terapêuticos. Segundo Zimerman (2000) possui esse nome porque consiste de pessoas que apresentam o mesmo tipo de necessidades, isto é, são considerados grupos homogêneos. Como exemplos há: alcoólicos anônimos (A. A.), narcóticos anônimos (N.A.) e neuróticos anônimos (N.A.).

São grupos formados espontaneamente e que preservam o anonimato. A característica fundamental, como ressalta Zimerman (2000) está na liderança do grupo: “costumam operar sob a liderança de pessoas pertencentes a mesma categoria diagnóstica dos demais integrantes e que passaram, ou estão passando, pelas mesmas dificuldades e experiências afetivas destes” (p. 212).

Grupos psicoterápicos propriamente ditos

Este item refere-se basicamente ao enfoque teórico-técnico ao qual cada abordagem teórica está fundamentada: psicanalítica, cognitivo-comportamental, psicodrama e sistêmica.

Tipos de grupos

  • Homogêneo: Segundo Zimerman (2000) destina-se àquele grupo de pessoas que possuem características comuns. São exemplos: grupos de obesos, deprimidos, psicossomatizadores, etc.
  • Heterogêneo: Refere-se a pessoas que tenham características diferentes entre si. Por exemplo: um grupo formado por uma pessoa obsessiva-compulsiva, outra histérica, e assim por diante.
  • Aberto. Caracteriza-se por não ter um prazo para o término, além do que permite que entrem e saiam pessoas do grupo.
  • Fechado. Entende-se que as mesmas pessoas iniciam e terminam juntas, com prazo definido, não podendo entrar novos membros.

Papéis nos grupos


Na nossa vida, costumamos desempenhar vários tipos de papéis: de mãe, de filha, de profissional etc. Essa natureza flexível, de mudança de papéis é um indicativo saudável.

Em cada grupo que se forma, espontâneo ou terapêutico, percebe-se que cada membro desempenha um papel ou uma posição diferente. Na maioria das vezes é uma “escolha” inconsciente e que faz parte da configuração do campo grupal. Diz Zimerman (2000) que “em cada papel se condensam as expectativas, necessidades e crenças irracionais de cada um e que compõem a fantasia básica inconsciente comum ao grupo todo” (p. 137).

O papel que o indivíduo desempenha no grupo geralmente é o mesmo evidenciado na sua vida de forma geral: seja na escola, no trabalho, na família, numa festa etc. Nesse sentido, Zimerman (2000) e Pichon-Rivière (1991) apontam que, muitas vezes, esses papéis são rígidos e estereotipados, funcionando, portanto, de forma patológica. No processo terapêutico esses papéis devem ser identificados e modificados, de forma que se tornem mais flexíveis, deixando sua natureza patológica.

Os papéis mais comuns, encontrados na literatura, são os seguintes:

Bode expiatório. 

É aquela pessoa que representa tudo o que é “ruim”, os aspectos negativos de todo o grupo. É comum essa pessoa sair do grupo. Mas Zimerman (2000) alerta para o fato de que tão logo o próprio grupo se encarregará de encontrar outro. Por outro lado, pode ser que esse indivíduo permaneça no grupo, servindo como o “bobo da corte”. Portanto, é uma situação que deverá ser trabalhada pelo terapeuta.

Porta-voz.

Refere-se àquela pessoa do grupo que denuncia, que comunica os sentimentos, necessidades, pensamentos e ansiedades inconscientes do grupo. Essa comunicação, segundo Zimerman (2000) pode ocorrer de várias formas. Pode ser feita verbalmente, por meio de manifestos, reivindicações, contestações. Mas pode ser também de forma não verbal, por meio de atuações, dramatizações, silêncios, etc. Para Pichon-Rivière (1991) o doente costuma ser o porta-voz das angústias e conflitos do grupo. Inconscientemente, o grupo “elege” essa pessoa porque é insegura, característica essa que tende a deixar o indivíduo paralisado e doente (quando a natureza do papel for patológica).

Radar. 

Esse papel costuma ser assumido por aquela pessoa do grupo que capta, antes dos demais, os primeiros sinais de angústias e ansiedades do grupo. Geralmente, esses conflitos são expressos por intermédio de abandono do tratamento, somatizações e outras atuações; ou seja, de forma não verbal (ZIMERMAN, 2000).

Instigador.

Executa o papel de instigador, conforme Zimerman (2000), aquele membro do grupo que costuma fazer intrigas e que acaba perturbando o campo grupal.

Sabotador.

Geralmente é um papel, segundo Zimerman (2000), que é executado por pessoas invejosas e narcísicas, que procuram criar obstáculos e prejudicam o bom andamento do grupo. Para Pichon-Rivière (1991) o sabotador representa a resistência à mudança, característica esta que faz parte de qualquer processo psicoterápico, seja ele individual ou grupal.

Apaziguador. 

É aquele papel conhecido como “colocar pano quente”. Como afirma Zimerman (2000) é desempenhado por pessoas que apresentam dificuldades de lidar com situações tensas, ou de agressividade.

Líder. 

Finalmente, o papel de líder, que é, geralmente, o mais fácil de identificar e é observável em todos os grupos.

Pichon-Rivière (1991) descreve quatro tipos de lideranças: autocrática, democrática, demagógica e laissez-faire. A liderança autocrática é, costumeiramente, executada por pessoas narcísicas, rígidas, cujos seguidores são pessoas inseguras e dependentes. A democrática é aquele tipo de liderança considerada mais saudável, uma vez que os papéis, funções e limites estão organizados. Já a do tipo laissez-faire caracteriza-se pela ausência de agente continente para as angústias e ansiedades. E por fim, a liderança demagógica, que consiste na figura de um líder que prega falsas ideologias, permanecendo num discurso distante da prática.

Pichon-Rivière (2000) atenta para o fato de que o terapeuta também desempenha um papel e posição no grupo, que pode ser diferente em cada grupo que se forma. Por exemplo: um paciente emocionalmente fragilizado pode atribuir ao terapeuta o papel maternal, isto é, de uma pessoa que provê a segurança de uma mãe.

Esse papel orienta Pichon-Rivière (2000), pode ser de natureza boa (maternal, paternal, etc.) ou má, nas situações em que predominam fantasias paranoides, persecutórias, etc.

A tarefa do grupoterapeuta, como aponta Pichon-Rivière (2000) e Zimerman (2000), é a de identificar e trabalhar esses papéis no grupo.

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