Recuperação aquática: Método Halliwick

“The Halliwick Method”, ou seja, “O Método Halliwick” foi desenvolvido por James McMillan em 1949 na Halliwick, escola para meninas em Londres, Inglaterra. No início, o método tinha como enfoque na instrução e proficiência na técnica de natação. Mais tarde, foi aceito como uma prática clínica utilizada em tratamento em vários tipos de deficiência física. Com o seu desenvolvimento, este método é apoiado em princípios científicos da hidrodinâmica e biomecânica.

De qualquer forma, Halliwick também pode ser utilizado como uma atividade recreacional de grande valor no campo da fisioterapia. O princípio aplicado desta clínica é baseado na mesma propriedade geral assim como qualquer outra prática da reabilitação aquática: a habilidade do paciente em executar uma atividade na água que ele não pode executar ou realizar de forma dificultada em terra.

O Halliwick oferece aos pacientes a oportunidade de visualizar a si mesmo como independente novamente, para que ele possa colocar objetivos no sentido de retomar a sua alta confiança.

O controle do equilíbrio e a subsequente correção da deficiência do equilíbrio torna-se o objetivo primário na aplicação da técnica de Halliwick no tratamento da reabilitação aquática.

A filosofia básica desta prática gira em torno da teoria do controle do equilíbrio e desenvolvimentos dos estágios de maturação do ser humano. Clinicamente falando, esta é a essência da teoria de Halliwick. O uso de flutuadores não é aconselhável na aplicação da técnica. Adicionalmente, o contato correto com o paciente é outra consideração importante, pois ele permite a mobilidade e facilita o movimento esperado ou a resposta à atividade. (VARGAS, 2004).

Como estabelecido originalmente, o Método Halliwick consiste em dez estágios ou atividades as quais estão agrupadas em quatro fases:

Fase I: Ajustamento mental à água. Primeiro o paciente precisa, gradualmente, ajustar-se ao ambiente. Assim, quando ele estiver mais adaptado, ele será capaz de mover-se mais livremente na água, evitando, dessa forma, o trabalho contra os efeitos da flutuação. A sequência do desenvolvimento – sentado, para gato, para joelho, para de pé – é revertida no Halliwick ou quando ensinamos alguém a nadar. Nessa fase os exercícios são executados na posição vertical, antes que ele seja posicionado na posição horizontal ou de flutuação, que é um passo para a realização de técnicas mais complexas.

Fase II: Rotações. Isto oferece a troca de posição da vertical para a horizontal e de trás para supino. Essa é a rotação onde possibilita que o paciente assume a posição de supino antes de voltar à posição original que está em pé. As mãos do terapeuta são utilizadas somente para facilitar o equilíbrio, se for o caso. Outra postura é a rotação vertical ao redor do eixo horizontal, envolvendo uma rotação completa de 360° do corpo. Essa técnica é contraindicada para pacientes com alteração vestibular.

Fase III: Controle do movimento na água. O controle é baseado na manutenção da posição equilibrada – não necessariamente na horizontal – a qual permite a flutuação do corpo. Nesta posição mais desafios podem ser integrados à atividade, tais como “explorando botão da piscina” (pegando objetos no chão da piscina). Como esta atividade requer olhos abertos, é altamente recomendável a utilização de máscara ou óculos de natação. Tudo depende do controle respiratório do paciente, se o controle não estiver estabelecido, pode-se usar snorkel para essa atividade. Outra atividade da fase III é o deslizamento turbulento, onde o paciente se mantém em supino e passivo e o terapeuta cria uma turbulência na região da cabeça do paciente, induzindo ao equilíbrio na flutuação e enriquecendo o controle do movimento corpóreo na água.

Fase IV: Movimento na água. O objetivo desta fase é permitir total independência e liberdade de movimentos na água. Atividades são realizadas como o “pulo do canguru” onde o paciente de mão dadas com o terapeuta pula para frente e o paciente não pode apertar as mãos do terapeuta para que não ocorra um aumento da tesão. Outra atividade é o “passeio de bicicleta” que permite uma ação circulatória dos membros inferiores do paciente enquanto ele é apoiado pelo terapeuta. O terapeuta se posiciona atrás do paciente e eles mantêm as mãos com as mãos. O “apoio horizontal” é muito utilizado, onde o terapeuta apoia as costas do paciente e ele se mantém flutuando. O paciente pode se manter imóvel ou ser instruído a movimentar tanto os membros inferiores como os superiores, ao mesmo tempo ou independentes, para cima e para baixo da água. “Desviando as pedras” a intenção é o relaxamento do paciente onde ele se mantém em supino, totalmente relaxado e o terapeuta move o paciente no nível da água fazendo curvas em formato de “S”. As “atividades em grupo” são muito populares na fase IV do Halliwick. Os pacientes podem formas círculos ou linhas retas segurando um no braço do outro, realizando marchas resistidas ou passos laterais em várias direções, utilizando a pressão hidrostática assim que o fator fortalecimento for executado.

Desde que Halliwick originalmente desenvolveu-se como um programa de instrução ao nado, os mesmos objetivos ainda permanecem:

Melhorar a força muscular.

Melhorar a circulação sanguínea.

Melhorar os padrões respiratórios.

Melhorar o equilíbrio – um dos principais objetivos.

Pacientes com AVC têm sido beneficiados com a reabilitação aquática assim como pacientes com disfunção cerebral os quais refletem em ataxia e incoordenação. (VARGAS, 2004).

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