Urgência e Emergência na veterinária: Edema pulmonar

Urgência e Emergência na veterinária - Edema pulmonar

Na urgência e emergência na veterinária, edema pulmonar é um dos casos que o médico veterinário pode se deparar.

Edema pulmonar nada mais é que o acúmulo de quantidades anormais de líquidos e solutos nos pulmões.
Pode se acumular no tecido conjuntivo pulmonar (edema intersticial) ou nos alvéolos (edema alveolar).
Inicialmente se forma dentro do interstício e depois progride para preencher os alvéolos e finalmente as vias aéreas.
É o aumento do conteúdo de líquido extra vascular nos pulmões por aumento da pressão e da permeabilidade capilar pulmonar.

Qualquer fator que faça com que a pressão do líquido intersticial pulmonar passe de negativa para positiva provoca uma súbita inundação dos espaços intersticiais e dos alvéolos pulmonares, com grande quantidade de líquido livre.

Classificação do edema Pulmonar

• Edema hidrostático acontece devido a um aumento na pressão hidrostática;

• Edema por aumento de permeabilidade, com ou sem dano alveolar difuso;

• Edema misto, que é a associação dos dois mecanismos (aumento da pressão hidrostática e da permeabilidade capilar pulmonar).

Fisiopatologia

Vários fatores podem ocorrer simultaneamente.

Uma hipóxia resulta de anormalidades de perfusão ventilatórias.

O edema pulmonar associa-se a um aumento da pressão capilar hidrostática (sobrecarga vascular), e há redução da pressão oncótica plasmática, obstrução da drenagem linfática e aumento da permeabilidade capilar.

Causas

A causa mais comum de edema é o aumento da pressão hidrostática secundária à insuficiência cardíaca do lado esquerdo.

• A redução da pressão oncótica plasmática ocorre com uma hipoalbuminemia (geralmente menor que 1 g/dL), possivelmente secundária a uma doença gastrointestinal, glomerulopatia ou insuficiência hepática;

• Administração exagerada de fluído pode contribuir para edema tanto através de uma pressão hidrostática aumentada como de uma pressão oncótica reduzida;

• Obstrução à drenagem linfática é geralmente causada por uma neoplasia;

• Muitas doenças podem levar a uma permeabilidade capilar aumentada e à formação de edema com uma concentração proteica relativamente alta (síndrome de distúrbio respiratório adulto ou agudo [SDRA]);

• Traumatismo severo, que envolva cavidade torácica levando a perda de pressão negativa ou traumatismo da cabeça que cause lesão no centro que controla o mecanismo da respiração.

• Inalação de fumaça, aspiração de líquido ou conteúdo estomacal, intoxicação com oxigênio – causam lesão direta ao parênquima pulmonar o que leva a um desequilíbrio no sistema de drenagem e ocasiona o edema pulmonar agudo.

• Outras patologias que envolvam outros sistemas podem, de forma secundária levar a formação do edema pulmonar: envenenamento por cobra; eletrocussão; Pancreatite; Uremia e coagulação intravascular disseminada [CID]; Tromboembolia pulmonar; Obstrução severa das vias aéreas superiores; Ataques convulsivos .

Fisiopatologia do Edema Agudo Pulmonar

O aumento da pressão do capilar pulmonar, aumenta a permeabilidade do capilar permitindo a entrada de líquido para o interior do interstício resultando em edema intersticial que diminuirá a complacência e volumes pulmonares, aumentando a resistência das vias aéreas e originando áreas de micro atelectasias e no edema alveolar além disso ocorre a diminuição do surfactante e aumento da tensão superficial, o que resulta em novas áreas de atelectasias que se somam as anteriores.

Manifestações Clínicas

• Tosse expectorada rosada e espumante

• Estetoração e sibilos devido estreitamento das VA

• Taquipnéia

• Dispneia intensa

• Ortopnéia

• Taquicardia

• Arritmias

• Sudorese e pele fria

• Cianose

Diagnóstico

• Sinais clínicos;

• Radiografia torácica: Aumento da área cardíaca, congestão hilar, na fase intersticial apresenta infiltrado reticular até a periferia, na fase alveolar apresenta imagem de vidro fosco mais alargamento das cissuras interlobares.

• Gasometria: inicialmente com hipoxemia leve e hipocapnia e tardiamente com hipoxemia severa refrataria e hipercapnia

Tratamento Clínico

• Sedativos (benzodiazepÍnicos, p.ex: diazepan 1mg/kg)

• Administrar diuréticos de ação rápida, como a furasemida para induzir a perda rápida de líquidos do organismo.

• Digitálicos (captopril 0,5 – 2,0 mg BID) (drogas inotrópicas positivas que aumentam a força de contração muscular)

• Cardiotônicos de ação rápida, a fim de fortalecer o coração (atenolol- 0,25-1,0 mg/kg SID)

• Aminofilina – broncodilatadores;

• Oxigenioterapia (máscara ou cateter de O2)

• Ventilação não-invasiva – somente com cânula nasal ou máscara facial;

• Ventilação invasiva – nesse caso deve-se fazer a entubação com traqueotubo e esse conectado a uma fonte de oxigênio a 100%

• Em todos os casos, o aumento da suplementação de oxigênio, o estresse mínimo e a sedação podem ser úteis.

• Os bronco dilatadores podem ser úteis através de efeitos diuréticos suaves e de redução da fadiga muscular ventilatória.

• Indica-se uma sucção das vias aéreas e uma ventilação de pressão positiva no caso de um edema severo.

• O clínico deve tentar determinar se o edema é provável de ser o resultado de uma insuficiência cardíaca, uma sobrecarga de volume, uma hipoalbuminemia ou uma elevação da permeabilidade.

• Hipoalbuminemia – Reponha a albumina: transfusão de plasma ;

• Diuréticos (furosemida)

• Corticosteroides para o choque; Dexametasona 0,5 a 2mg/kg.

• O edema secundário a uma elevação da permeabilidade é geralmente pouco responsivo a um tratamento diurético;

• Deve-se ter cuidado em se evitar a desidratação do animal, que pode ser particularmente prejudicial para os animais com muitas das doenças subjacentes associa¬das a esta forma de edema.

Ventilação Invasiva

Indicações:
Hipoxemia severa

Hipercapnia progressiva

Acidose respiratória e metabólica

Fadiga muscular

Objetivos:
Diminuir trabalho respiratório

Melhorar trocas gasosas

Efeitos deletérios:

Elimina os mecanismos de defesa das VA naturais

Diminui efetividade da tosse

Impede a função da epiglote e das cordas vocais

Predispõe às infecções e complicações respiratórias

Permanência do tubo leva a traumas, necrose, paralisia das cordas

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