Alterações celulares inflamatórias no corpo

A inflamação é o conjunto dos fenômenos de reação a qualquer agressão tissular, seja bacteriana, viral, parasitária, pós-traumática, química ou física.

A susceptibilidade do trato genital feminino à inflamação varia com a idade e a localização anatômica. Em mulheres do grupo de idade reprodutiva, o epitélio escamoso altamente proliferativo da ectocérvice serve como uma excelente barreira contra as lesões. Em crianças e mulheres após a menopausa, o epitélio escamoso é usualmente atrófico, e essa condição facilita a instalação de reações inflamatórias.

O epitélio colunar simples da endocérvice e endométrio são particularmente susceptíveis a agentes infecciosos, especialmente na presença de ectopia, quando a mucosa endocervical de camada única é exposta à flora vaginal.

As lesões inflamatórias se caracterizam a nível microscópico por:

• Reação vascular com formação de capilares.

• Migração de leucócitos, macrófagos e plasmócitos para o local da inflamação.

• Modificações de estrutura do epitélio (hiperplasia, metaplasia, fenômenos de reparação).

• Alterações morfológicas variadas; algumas são comuns a todas as inflamações, outras representam modificações específicas a determinado agente.

• Presença eventual do fator causal.

A citologia tem papel importante no reconhecimento das lesões inflamatórias do trato genital; ela permite avaliar a intensidade da reação inflamatória, acompanhar sua evolução e, em certos casos, determinar a natureza do agente causal.

O que provoca um processo inflamatório?

Um processo inflamatório, qualquer que seja sua causa, provoca o aparecimento de um exsudato inflamatório composto por leucócitos, histiócitos e fenômenos de necrose celular que modificam o aspecto dos esfregaços e tornam mais difícil o exame das células epiteliais. Os polinucleares neutrófilos podem ser numerosos, isolados ou em aglomerados.

Os linfócitos são vistos mais amiúde nas lesões crônicas e exibem todas as formas de evolução desde o pequeno linfócito até os linfoblasto e imunoblasto,os plasmócitos são raros.

A presença de macrófagos, por vezes multinucleados e contendo fragmentos celulares fagocitados, é freqüente nas inflamações crônicas.

A presença de hemácias bem conservadas ou lisadas acompanha comumente os fenômenos inflamatórios. A presença de macrófagos com citoplasma carregado de pigmentos sangüíneos castanhos (hemossiderina) define a existência de sangramento antigos ou crônicos.

Qual a célula presente durante um processo inflamatório?


Na inflamação, o tipo celular dominante pode se modificar. Assim, na mulher jovem, uma ulceração mucosa pode provocar um aumento das células parabasais; na mulher menopausada, a inflamação pode estimular a proliferação epitelial e cria uma falsa imagem de estimulação estrogênica.

Ao nível das células malpighianas modificadas pela inflamação, os núcleos mostram irregularidades no contorno da membrana e/ou uma condensação da cromatina que pode evoluir para picnose. Quando a degeneração é pronunciada, os núcleos adquirem um aspecto homogêneo e depois se fragmentam antes de desaparecer (cariorrexe).

O núcleo desenvolve vacúolos cujo tamanho e número varia. O citoplasma pode estar destruído parcial ou totalmente, deixando os núcleos nus (citólise). Ele perde suas afinidades tintoriais exibindo uma falsa eosinofilia (eosinofilia em células normalmente cianófilas, tais como a célula parabasal ou intermediária). As células metaplásicas malpighianas são freqüentemente muito numerosas nesses esfregaços. A relação entre os volumes do núcleo e do citoplasma (relação núcleo-citoplasma) muda pouco nos estados inflamatórios.

As células cilíndricas mostram sinais de degeneração com um citoplasma estufado e vacuolizado, colonizado por polimorfonucleares e empurrando o núcleo para periferia. Os núcleos são pálidos e grandes.

O aumento da secreção mucosa provoca um inchaço do citoplasma. Essas anomalias, quando acentuadas, não devem ser confundidas com atipias pré-cancerosas e cancerosas. Nesta, a hipercromasia é mais marcada e os núcleos mais aparentes.

Gostou do artigo? Inscreva-se no blog, conheça os cursos da área e continue nos acompanhando.

Receba novidades dos seus temas favoritos

Se aprofunde mais no assunto!
Conheça os cursos na área da Saúde.

Mais artigos sobre o tema